O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou este domingo que a Aliança Atlântica está a ajudar a garantir a segurança do aeroporto de Cabul para permitir a retirada de cidadãos ocidentais do Afeganistão face ao avanço da ofensiva talibã.

Falei com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos nossos aliados Canadá, Dinamarca e Países Baixos sobre a situação no Afeganistão. A NATO está a ajudar a manter o aeroporto de Cabul aberto para facilitar e coordenar as evacuações", escreveu Stoltenberg numa breve mensagem publicada na rede social Twitter.

 

Nas últimas horas, na sequência do rápido avanço da ofensiva talibã em Cabul e da anunciada entrada dos insurgentes na capital afegã, funcionários diplomáticos de vários países ocidentais, nomeadamente dos Estados Unidos da América (EUA), Dinamarca ou dos Países Baixos, foram transferidos com urgência para o aeroporto de Cabul ou para a área circundante.

A Alemanha também anunciou hoje que transferiu os seus funcionários da embaixada, incluindo os locais, para o aeroporto da capital afegã.

A televisão pública ZDF avançou que a chanceler alemã, Angela Merkel, vai informar hoje os grupos parlamentares sobre a situação no Afeganistão e a retirada do pessoal da embaixada em Cabul.

Suécia e Espanha divulgaram igualmente que estão a acelerar o plano de evacuação das respetivas representações diplomáticas em Cabul.

Apesar das garantias iniciais de que só avançariam para o interior da capital afegã após uma transição pacífica de poder, os talibãs entraram hoje em Cabul.

Os insurgentes justificaram que entraram na capital afegã para controlar possíveis situações de roubo e de pilhagem, após o recuo e a fuga das forças de segurança governamentais afegãs.

Esta grande ofensiva dos talibãs contra as forças do Governo afegão começou no princípio de maio, após o início da retirada final das forças internacionais (Estados Unidos e NATO) do Afeganistão.

A saída dos militares estrangeiros do país da Ásia Central deve estar concluída no final deste mês, 20 anos depois do início da sua intervenção para afastar os talibãs do poder, após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, organizados pela Al-Qaida, grupo acolhido no Afeganistão.

Em pouco mais de uma semana, os talibãs tiveram mais vitórias que em 20 anos de guerra e já controlam a maioria das 34 capitais de província do Afeganistão.

Agência Lusa / MJC