O maiores grupos do Parlamento Europeu (PE) pedem à União Europeia (UE) que rejeite a escolha de Donald Trump para embaixador junto da UE, devido às declarações consideradas antieuropeias por parte de Ted Malloch, o homem apontado para o cargo.

Durante uma sessão convocada para discutir a controversa medida da administração Trump, que bloqueia a entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA, os grandes grupos políticos do PE criticaram as declarações recentes de Malloch, que teceu comentários negativos acerca do Euro e sobre a União Europeia.

Numa entrevista à BBC, Malloch foi questionado sobre a sua vontade em ser embaixador para a UE, quando claramente não é um fã do modelo europeu. O nome apontado como a escolha de Trump para o cargo acabou por comparar a União à antiga URSS.

Numa carreira anterior ocupei um posto diplomático através do qual ajudei a derrubar a União Soviética. Talvez exista outra União que precisa de ser um pouco domada”.

Sobre a moeda única, o economista afirmou que o euro “não só está em vias de desaparecer, como pode colapsar no próximo ano e meio”, pelo que, no que toca às relações comerciais entre os EUA e a UE, teme que “não exista uma União Europeia com quem negociar”.

O líder do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, afirmou que “não se pode aceitar alguém como Malloch, que disse que o euro está na sua reta final e que [a saída do Reino Unido] é só o princípio do fim. É impossível colaborar com alguém assim”.

O eurodeputado alemão do grupo dos Socialistas e Democratas europeus (S&D), Jo Lienen, pede que, devido à sua hostilidade, se considere Ted Malloch "persona non grata" em Bruxelas.

Segundo a Europa Press, o líder do S&D, o italiano Gianni Pittella, foi mais longe e pediu aos governos dos Estados membros que não convidem Trump a visitar solo europeu até que mude a sua postura hostil contra a União – uma referência ao convite de Theresa May, primeira-ministra britânica, que vai receber Trump, provavelmente, ainda este ano.

De todos os grupos parlamentares, apenas os liderados pelo britânico Nigel Farage (eurocético) e pela francesa Marine Le Pen (extrema-direita) apoiaram as medidas de Trump.

O Trump irrita-vos porque é alguém que venceu as eleições democraticamente e está a cumprir as suas promessas. Isto é uma verdadeira democracia”, afirmou Farage.

Farage acrescentou, ainda, que vetar a escolha de Malloch seria algo "estranho", uma vez que ainda não foi nomeado para o cargo.