O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse esta quinta-feira que nos próximos dias o mundo registará mais de um milhão de casos confirmados de Covid-19 e 50.000 mortes.

Este vírus, que nos era desconhecido há três meses, expôs as fraquezas e desigualdades nas nossas sociedades e sistemas de saúde, a nossa falta de preparação e as lacunas nas nossas cadeias e sistemas essenciais", afirmou o responsável pela OMS.

Tedros Ghebreyesus defendeu que os sistemas de saúde devem ser preparados para um maior número de casos.

O responsável reconheceu que são necessárias "soluções inovadoras" para comunidades que não dispõem de água limpa ou que vivem em condições onde é difícil manter a recomendada distância social.

A OMS, a UNICEF e a Federação Internacional da Cruz Vermelha estão a pedir aos países que ofereçam estações públicas gratuitas de higiene das mãos em áreas sem acesso a água e desinfetante, acrescentou.

Já estamos a assistir aos efeitos económicos e sociais desta pandemia nos países desenvolvidos. Nas comunidades pobres esses efeitos podem ser ainda mais graves e duradouros", alertou Tedros.

A OMS apelou aos governos para reforçarem a resposta social, por forma a não faltar alimentação e outros bens às pessoas mais vulneráveis durante esta crise.

A OMS, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional uniram-se num pedido de alívio da dívida para os países em desenvolvimento, para permitir que adotem essas medidas, referiu.

De acordo com o mesmo responsável, 74 países já se juntaram ou estão em processo de adesão a uma iniciativa para avaliar potenciais tratamentos para a Covid-19. Mais de 200 pacientes foram escolhidos, aleatoriamente, para participar numa das fases deste estudo.

Até quarta-feira, foram recebidos 677 milhões de dólares, revelou o diretor-geral, especificando que desse montante 300 milhões foram angariados pelas operações da OMS e o restante foi concedido a parceiros ou bilateralmente.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou mais de 940.000 pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 47.000.

Dos casos de infeção, cerca de 180.000 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com mais de 508.000 infetados e mais de 34.500 mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 13.155 óbitos em 110.574 casos confirmados até quarta-feira.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 209 mortes, mais 22 do que na quarta-feira (+11,8%), e 9.034 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 783 em relação à véspera (+9,5%).

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