As tempestades solares estão a preocupar a comunidade científica, depois de um estudo recente ter sugerido que em breve podem afetar a Terra e dar origem a efeitos "catastróficos". Há muito que os cientistas procuram pistas sobre possíveis causas para estas tempestades, também conhecidas como explosões solares.

Estas manifestações naturais no sol resultam da reorganização ou do cruzamento das linhas do campo magnético situadas perto das manchas solares, de acordo com a NASA.

Estas explosões de energia libertam muita radiação para o espaço e se forem muito intensas podem interferir com as comunicações de rádiona Terra, acrescenta a agência espacial. Satélites, televisão, internet e comunicação digital podem estar em risco.

Por vezes, estas explosões solares são acompanhadas por um evento conhecido como Ejeção de Massa Coronal (CME na sigla original em inglês), que liberta bolhas de radiação e partículas do sol.

Quando as partículas da CME "alcançam áreas próximas da Terra podem espoletar luzes intensas no céu chamadas auroras". No entanto, quando esse contacto é particularmente forte, também pode “interferir em redes de energia elétrica” e causar escassez de eletricidade e falta de energia.

Se houver uma grande erupção solar, o mundo inteiro será afetado”, alerta o chefe do Gabinete de Meteorologia Espacial da Agência Espacial Europeia (ESA na sigla original em Inglês), Juha-Pekka Luntama, em declarações divulgadas pelo jornal inglês Express.

Um evento destes poderia causar o caos na Terra, destruindo satélites, equipamentos tecnológicos e redes elétricas, explica o estudo do Met Office, serviço meteorológico britânico.

Se a radiação de uma explosão solar atingir a Terra pode destruir satélites, perturbar telemóveis e outras formas de comunicação”, avisa também o astrofísico Brian Gaensler, da Universidade de Toronto, no Canadá, em declarações citadas pelo jornal inglês Star.

É nesse sentido que já vários serviços meteorológicos, como o Met Office, no Reino Unido, Australian Met Bureau e o Centro de Previsão de Tempo Espacial Noaa, nos EUA, estão a avaliar a frequências destas tempestades solares e os danos que poderão causar, caso atinjam a Terra.

Juha-Pekka Luntama afirma que a humanidade tem tido sorte, mas lembra o conhecido “Evento Carrington” de 1859 quando uma Ejeção de Massa Coronal levou a que fios telegráficos se incendiassem em alguns locais.

Não tivemos nenhum tão grande desde então, mas se aconteceu uma vez, vai voltar a acontecer e temos que estar preparados”, alerta.

O estudo realizado por Chris Scott e por cientistas da British Antarctic Survey, do Laboratório Rutherford Appleton e da Universidade de Cambridge, mostra que se uma tempestade solar atingir o Reino Unido poderá ter prejuízos como a perda de produto interno bruto, que poderá chegar aos 15,9 mil milhões de libras (aproximadamente 17 mil milhões de euros).

Descobrimos que, para um evento que acontece uma vez em cada 100 anos, sem capacidade de previsão de tempo, a perda de produto interno bruto para o Reino Unido pode chegar a 15,9 mil milhões de euros”, afirmou um dos autores do estudo.

É necessário um planeamento antecipado

Vários governos mundiais já entraram em contacto com empresas de energia, de naves espaciais e operadores de companhias aéreas para garantirem que existem formas de combater o impacto de uma possível tempestade solar.

De acordo com a BBC, é importante garantir que haja energia suficiente para refrigerar alimentos e medicamentos e saber se existem reservas de água e combustível em caso de necessidade.

Caso uma tempestade solar atinja a Terra é importante garantir as ligações por satélite e as comunicações porque essas poderão deixar de funcionar.

Desde a tempestade solar de 1859, com a ajuda das tecnologias e de descobertas recentes, concluiu-se que é necessário desenvolver novas estratégias e métodos para que os países sejam capazes de suportar tempestades solares caso sejam atingidos.