O suspeito de raptar Cleo Smith foi transferido, nesta sexta-feira, para uma prisão de segurança máxima, em Perth, capital da Austrália Ocidental.

Terence Darrell Kelly, de 36 anos, foi acusado, na quinta-feira, de raptar a menina de quatro anos, entre outros crimes.

Cleo Smith foi resgatada na madrugada de quarta-feira pela polícia, ao fim de quase três semanas de buscas, depois de ter desaparecido quando acampava com a família, em Carnarvon.

O alegado raptor foi transferido por questões de segurança, uma vez que não só sofreu ferimentos autoinfligidos que levaram a duas hospitalizações durante o curto espaço de tempo que esteve detido em Carnarvon, como foi tornada pública a sua obsessão por bonecas.

A polícia australiana considerou, por isso, que são "razões óbvias" que justificam a sua transferência da pequena cidade costeira, a quase mil quilómetros de Perth.

A transferência foi seguida de perto por uma equipa de agentes de operações especiais e alguns meios de comunicação conseguiram registar o momento em que o suspeito chegou ao aeroporto.

Terence Darrell Kelly vai permanecer em prisão preventiva até 6 de dezembro, quando terá de se apresentar novamente em tribunal. 

O homem de 36 anos, que terá agido sozinho, não tem qualquer ligação com a família da menina.

Como foi detido

Cleo Smith foi encontrada na madrugada de quarta-feira, pouco antes da 01:00, numa casa fechada, dentro de um quarto. As luzes estavam ligadas e a menina estava a brincar com brinquedos quando os agentes entraram na habitação.

A polícia vigiava Kelly desde a tarde de terça-feira, depois de alertada por um vizinho para uma compra suspeita de fraldas.

O homem foi detido quando conduzia um carro perto de Carnarvon, cerca da meia-noite. Só depois a polícia foi à casa onde viria a encontrar Cleo.

A polícia australiana divulgou, entretanto, o áudio do momento em que a menina foi encontrada.

"Já a temos", ouve-se um agente dizer. "Como te chamas, querida?", pergunta a polícia. "O meu nome é Cleo", respondeu a criança.

Cleo Smith foi encontrada "fisicamente bem", mas, por tratar-se de um "evento traumático", a polícia vai agora, com a ajuda de psicólogos, tentar apurar junto da menina o que aconteceu naqueles 18 dias.

A menina desapareceu a 16 de outubro, quando acampava com a família num parque de Carnarvon.

Ellie Smith, a mãe de Cleo, tinha sido a última pessoa a vê-la. Disse que acordou de madrugada com a filha a pedir água, mas, depois, já de manhã, reparou que a criança e o saco de cama onde dormia já não estavam na tenda.

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Catarina Machado