A nave espacial lançada pela China na terça-feira aterrou esta sexta-feira “com sucesso” na Terra após uma missão teste, que constituiu um importante passo para levar tripulações para a futura estação espacial chinesa, informaram as autoridades locais.

A estação espacial chinesa deve começar a ser construída este ano e estar concluída em 2022.

A sonda pousou às 13:49 na China (06:49, em Lisboa), numa zona predeterminada na região autónoma da Mongólia Interior, no norte do país, informou a agência espacial responsável por voos tripulados.

Uma foto que mostra a aterragem da sonda, amortecida por três paraquedas vermelhos e brancos, foi publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), o Diário do Povo.

O principal objetivo desta missão teste é preparar o transporte de astronautas para a futura estação espacial e a realização de voos tripulados para a Lua.

A cápsula é uma melhoria da versão Shenzhou, baseada no modelo Soyuz, da antiga União Soviética, e pode transportar seis astronautas.

Foi lançada na terça-feira a bordo do foguete Longa Marcha 5B, o mais poderoso já usado pela China e que transportará as peças para a futura estação espacial, chamada Tiangong ("Palácio Celestial").

Considerada mais segura, a nova sonda é mais rápida, mais resistente ao calor e é parcialmente reutilizável.

Essas características abrem novos horizontes para o programa espacial tripulado chinês.

A nave espacial deve, portanto, ser capaz de realizar missões mais distantes no espaço, viagens que exigem maior velocidade e melhor proteção contra temperaturas extremas.

O seu retorno bem-sucedido ocorre após o fracasso, na quarta-feira, do retorno à Terra de uma cápsula de carga experimental, lançada pelo mesmo foguete, e que foi vítima de uma "anomalia", segundo as autoridades chinesas.

A China lançou, anteriormente, uma estação espacial experimental, que mais tarde caiu na atmosfera, e planeia agora construir uma instalação maior, com vários módulos, para rivalizar com a escala da Estação Espacial Internacional.

O programa espacial da China alcançou um marco, no ano passado, ao pousar uma sonda no lado oculto da Lua e tem planos para colocar um veículo terrestre e móvel em Marte.

Desde a sua primeira missão tripulada, em 2003, o programa espacial chinês desenvolveu-se rapidamente, e estabeleceu planos de cooperação com a Agência Espacial Europeia e de outros países.

Os EUA, no entanto, proibiram a maior parte da cooperação espacial com a China, por questões de segurança nacional, e impediram Pequim de participar na Estação Espacial Internacional, levando o país a desenvolver gradualmente o seu próprio equipamento.

A China também está entre os três países que planeiam missões para Marte este verão, junto com Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.

Uma sonda só pode ser lançada para Marte a cada dois anos para aproveitar o alinhamento mais próximo possível entre a Terra e o planeta vizinho.

/ RL