Cerca de 2.000 britânicos querem contrair a covid-19 para testar a eficácia das vacinas em desenvolvimento, de acordo com um movimento em curso no Reino Unido e que deu já origem a uma petição.

O Reino Unido está a equacionar a possibilidade de realizar um estudo de infeção humana controlada, nomeadamente as questões éticas que se colocam, uma vez que a covid-19 ainda não tem um tratamento definido, ao contrário do que acontece com outras doenças que tenham vacinas em desenvolvimento. A avançar, será o primeiro país do mundo a fazê-lo.

Este ensaio humano está previsto para janeiro, numa unidade em Londres, a expensas do Estado, revelou o Financial Times no final de setembro, citando fonte ligada ao estudo.

Os cerca de 2.000 participantes voluntariaram-se através de um grupo de defesa com base nos Estados Unidos, o "1Day Sooner" (um dia mais cedo, na tradução literal).

Paralelamente, esta plataforma lançou uma petição online para o financiamento público de um centro de estudos humanos, que possa acolher 100 a 200 participantes de cada vez. Esta petição, que foi assinada por alguns académicos de Oxford, Cambridge e até por um Nobel da Medicina, colheu, porém, poucas assinaturas das 10.000 necessárias para obter, pelo menos, uma resposta do governo.

Algumas farmacêuticas fizeram já questão de assumir publicamente que não estão envolvidas neste potencial estudo humano da covid-19, como a AstraZeneca, a Sanofi, a Moderna ou a BioNTech (Pfizer), que se encontram já na fase três da suas vacinas. A Johnson & Johnson admitiu estar a analisar a situação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, em maio, que estes testes humanos são arriscados, ainda que limitados a adultos jovens e saudáveis, uma vez que pouco se sabe ainda sobre as consequências da covid-19 e que não há tratamentos específicos, para além do antiviral remdesivir

Um desses adultos jovens e saudáveis é Alastair Fraser-Urquhart, de 18 anos, que adiou, por um ano, a entrada na universidade para poder fazer parte deste ensaio humano.

O risco para mim é mínimo. Mas ao assumir esse pequeno risco, posso, potencialmente, proteger milhares de outras pessoas de serem infetadas", afirmou, em declarações à CNN.

A covid-19 já causou perto de 43.000 mortos e mais de 606.000 infetados no Reino Unido, um dos países mais afetados pela pandemia.

Catarina Machado