Viveram uma história de amor cada vez mais rara. Andaram juntos no mesmo liceu, apaixonaram-se anos mais tarde na Califórnia, casaram e tiveram dois filhos. Anos mais tarde, de mãos dadas, Betty e Curtis Tarpley morreram com uma hora de diferença de mãos dadas, vítimas do novo coronavírus, num hospital do Texas, nos Estados Unidos da América.

Os detalhes da história que está a emocionar o mundo foram dados pelo filho do casal, Tim Tarpley. Em declarações à CNN, afirmou que a mãe, de 80 anos, tinha adoecido dias antes de ser admitida no hospital texano, onde foi diagnosticada com a Covid-19.

Dois dias depois, a 11 de junho, era a vez do marido, Curtis, dar entrada no mesmo hospital, com o mesmo diagnóstico.

Os primeiros dias de internamento não faziam antever o que acabou por acontecer. Tudo parecia estar a correr bem.  As enfermeiras da Unidade de Cuidados Intensivos dos hospital até costumavam transportar Curtis para a unidade de Betty, para que pudessem passar algumas horas juntos.

Repentinamente, a saúde de Betty começou a deteriorar-se, de tal forma que chegou a ligar aos filhos a dizer “estar pronta para ir embora”.

Gritei-lhe que não, que não podia ser, que tinha muitas coisas para fazer com ela ainda e para lhe mostrar", contou o filho do casal.

A situação, cada vez mais delicada em que Betty se encontrava, fez com que os responsáveis do hospital permitissem os filhos visitar a mãe. Na primeira visita, relembra Tim Tarpley, a mãe estava altamente medicada e não parecia não reconhecer a presença dos filhos.

À saída, Tarpley ligou ao pai para o pôr a par do estado de saúde mãe e para lhe dizer o quanto gostava dele. Horas depois, os níveis de oxigénio de Curtis começaram a cair.

Eu sinto que ele estava a lutar porque achava que era o seu dever e, assim que ele sentiu que a nossa mãe não iria aguentar, ele ficou em paz com a decisão de deixar de lutar”, contou o filho. “Acho que ele lutou porque precisávamos dele, mas ele estava cansado e com muitas dores.”

Tim Tarpley e a sua irmã, Tricia, nunca mais veriam os pais com vida.

Com os seus sinais vitais cada vez mais frágeis, a decisão de “fazer a coisa certa” e tentar “arranjar forma de eles estarem juntos” foi tomada pelos enfermeiros da unidade hospital, como conta Blake Throne, um dos enfermeiros responsável por Curtis Tarpley.

Emocionados com o casal, a equipa tratou de fazer com que Betty fosse transferida para a Unidade de Cuidados Intensivos, para ficar lado a lado com o marido.

Quando uma enfermeira disse ao Curtis que a Betty estava ali, ele tentou levantar-se e virar-se para ela. Mas estava muito fraco e não conseguiu. Depois abriu muito os olhos e levantou as sobrancelhas. Ele sabia que ela estava ali. Depois levantei-lhe o braço e ele deu a mão à Betty", descreveu o enfermeiro.

Betty acabou por morrer 20 minutos depois e com Curtis a dar os últimos sinais vitais 45 minutos depois da mulher.

Honestamente, eles estavam tão incapacitados para falar que tudo o que fizeram foi comunicar com as suas almas. Eles conheciam-se bem o suficiente para poderem comunicar sem precisar de palavras”, relembra o filho.