A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse hoje que o acordo alcançado com os 27 Estados-membros da União Europeia (UE) honra o referendo, o país e espera que seja aprovado pelo Parlamento britânico ainda antes do Natal.

É um bom negócio para todo o Reino Unido, cumpre com o que foi referendado e com outras questões como o controlo das fronteiras e protege a nossa segurança”, disse May, em conferência de imprensa, acrescentado que vai defendê-lo perante os membros do Parlamento britânico.

A primeira-ministra britânica adiantou esperar que o Parlamento vote o “bom acordo” hoje alcançado ainda antes do natal e depois de um “debate crucial”, reiterando as palavras do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de que este é o único acordo possível.

May salientou que vai defender “de alma e coração” o acordo na Câmara dos Representantes, em dezembro, considerando que o texto cumpre com o que os eleitores já votaram no referendo que decidiu o Brexit.

Com o acordo hoje alcançado em Bruxelas, Theresa May salientou que o reino Unido recupera o controlo sobre as suas fronteiras, dinheiro e legislação, deixando ainda de estar sujeito às regras das políticas comuns da agricultura e das pescas.

Os chefes de Estado e de Governo dos 27 validaram hoje o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e a declaração política da relação futura com este país, o primeiro a sair do projeto europeu.

“O Conselho Europeu endossa o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia […]. Nessa premissa, o Conselho Europeu convida a Comissão, o Parlamento Europeu, e o Conselho a empreenderem os passos necessários para assegurar que o acordo entra em vigor a 30 de março de 2019, para garantir uma saída ordenada”, lê-se nas conclusões da cimeira extraordinária de hoje.

Carta aos britânicos 

A primeira-ministra do Reino Unido, escreveu uma carta aos britânicos a garantir que o acordo do Brexit tem em conta os interesses do país e de todos os cidadãos.

Na carta divulgada este domingo, mas datada de sábado, Theresa May adianta que “lutará com coração e alma” para entregar o acordo do Brexit.

Desde o meu primeiro dia, sabia que tinha uma missão clara à minha frente, um dever a cumprir em vosso nome: honrar o resultado do referendo e assegurar um futuro melhor para o nosso país pela negociação de um bom acordo do Brexit com a União Europeia”, escreveu May, recordando a “longa e complexa” negociação.

Para a primeira-ministra, o acordo serve o “interesse nacional” e serve todas as pessoas do Reino Unido, independentemente de votaram a favor ou contra no referendo que acabou por determinar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na carta, Theresa May enuncia vantagens do Brexit: “Vamos recuperar o controlo das nossas fronteiras”, “vamos recuperar o controlo sobre o nosso dinheiro, acabando com os pagamentos à União Europeia”, “vamos recuperar o controlo das nossas leis” e “vamos sair dos programas europeus que não funcionam a favor dos nossos interesses”, dando como exemplos a Política Agrícola Comum e a Política Comum das Pescas.

Fora da União Europeia, May entende que o país será agora capaz de assinar novos acordos comerciais e abrir novos mercados em economias de crescimento mais rápido pelo mundo.

A primeira-ministra entende que o acordo protege os cidadãos europeus que construíram as suas vidas no Reino Unido, bem como os cidadãos britânicos que vivem noutros países da União Europeia.

May defende ainda que o acordo serve para “cada parte do país”: Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e para territórios como Gibraltar.

Ao terminar a carta, a chefe de Governo considera que o dia 29 de março de 2019, dia da saída do Reino Unido, será o “começo de um novo capítulo na vida” do país.