O líder do partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, acusou, esta quarta-feira, a primeira-ministra de fazer o parlamento perder tempo ao apresentar aos deputados o mesmo acordo para o ‘Brexit' cuja votação adiou em dezembro.

A primeira-ministra tem estado imprudentemente a perder tempo, mantendo o país sob a ameaça de ausência de acordo numa tentativa desesperada de chantagear os deputados para votar a favor do seu acordo irremediavelmente impopular", afirmou na Câmara dos Comuns.

Corbyn referia o facto de Theresa May não ter apresentado quaisquer alterações ao acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Em dezembro, May adiou o voto ao acordo e comprometeu-se a obter "garantias legais e políticas" dos líderes europeus para tentar ultrapassar as objeções relacionadas com a solução de salvaguarda conhecida por «backstop', criada para evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda caso não exista um acordo sobre as relações futuras no final de 2020.

A primeira-ministra argumentou hoje que "as conclusões do Conselho Europeu de Dezembro foram mais longe do que antes, procurando abordar as preocupações" dos deputados e que continua a trabalhar para obter mais garantias e esclarecimentos dos líderes europeus.

"Mas também estamos a olhar para o que mais podemos fazer internamente para salvaguardar os interesses das pessoas e empresas da Irlanda do Norte", acrescentou, referindo uma série de compromissos apresentados hoje para ao parlamento regional a possibilidade de influenciar a decisão de ativar ou não o mecanismo do ‘backstop'.

Garantiu ainda que, "até ao final de 2020, o parlamento votará a possibilidade de alargar o período de transição ou de ativar o ‘backstop'".

Confrontada sobre a derrota do governo numa votação parlamentar na terça-feira, quando cerca de 20 deputados conservadores se aliaram à oposição para alterar a lei do orçamento de estado e assim dificultar a possibilidade de um ‘Brexit' sem acordo, May recusou descartar este cenário.

A única forma de evitar uma ausência de acordo é votar a favor do acordo", vincou.

Governo terá de apresentar novo plano em poucos dias se acordo for rejeitado

O Governo britânico terá de apresentar um novo plano para o ‘Brexit' no Parlamento no espaço de três dias se o acordo que negociou com Bruxelas for rejeitado pelos deputados na próxima terça-feira.

A imposição foi determinada por uma votação hoje na Câmara dos Comuns forçada por uma emenda proposta pelo deputado do partido Conservador Dominic Grieve, recebendo o apoio de 308 deputados contra 297, uma margem de 11 votos.

A emenda refere que, caso o acordo seja receitado pelos deputados, o que é considerado muito provável, "um ministro da coroa apresentará dentro de três dias de trabalho uma moção sobre o processo de saída da União Europeia".

O prazo exato para o Governo apresentar os próximos passos vai variar entre o final da semana, ou, se o parlamento não tiver sessão na sexta-feira como é comum, na segunda-feira seguinte, a 21 de janeiro.

Grieve justificou a proposta com a necessidade de consolidar e enfatizar o papel do parlamento no processo do ‘Brexit’.

A proposta foi subscrita por outros deputados conservadores, como os ex-ministros Oliver Letwin e Jo Johnson.

A admissão da emenda pelo líder do parlamento, John Bercow, foi uma decisão muito contestada por contradizer a ideia de que apenas um ministro poderia promover mudanças à moção.

Este é o segundo revés do Governo no espaço de 24 horas, após na terça-feira ter perdido outra votação parlamentar, quando cerca de 20 deputados conservadores se aliaram à oposição para alterar a lei do orçamento de Estado e assim dificultar a possibilidade de um ‘Brexit' sem acordo.

A moção sobre a agenda parlamentar apresentada pelo Governo reserva oito horas por dia nos trabalhos da Câmara dos Comuns para debater o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia a partir de hoje e durante cinco dias, até 15 de janeiro, data em que o documento será votado.