As negociações para um acordo de saída do Reino Unido da União Europeia vão continuar "pela noite dentro" para chegar a acordo, garantiu hoje a primeira-ministra britânica, Theresa May.

As negociações para a nossa partida estão agora na fase final. E estamos a trabalhar arduamente, pela noite dentro, para progredir nas questões derradeiras do Acordo de Saída, que são significativas", disse hoje durante um discurso em Londres.

Tanto o governo britânico como os restantes 27 países membros querem chegar a um entendimento sobre o Brexit, acredita, mas o que está em causa "é extremamente complicado", reconheceu.

Eu não vou recuar. As negociações sobre o Brexit não são sobre mim ou o meu futuro pessoal. São sobre o interesse nacional - e isso significa fazer o que eu acredito serem as escolhas certas, não as fáceis", vincou.

A chefe de governo falava no banquete após a posse do novo Mayor da City de Londres, uma figura responsável pela promoção internacional do bairro onde está o centro financeiro da capital britânica.

Theresa May está sob pressão para concluir um acordo de saída da União Europeia e apresentá-lo no parlamento para que seja aprovado e a respetiva legislação introduzida a tempo da data oficial de saída, em 29 de março de 2019.

Um porta-voz da primeira-ministra revelou hoje que as negociações técnicas em Bruxelas prolongaram-se até perto das 3:00 da manhã de segunda-feira.

O impasse mantém-se na questão da fronteira entre o território britânico da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, Estado membro da UE.

Uma livre circulação de pessoas, bens e serviços é um dos requisitos do acordo de paz para a Irlanda do Norte, mas a saída britânica do mercado interno implica a introdução de controlos alfandegários.

Bruxelas quer inserir no acordo de saída uma cláusula que garanta uma solução para a eventualidade de a relação futura entre o Reino Unido e o bloco não estar definida até ao final do período de transição, em dezembro de 2020.

May admitiu prolongar este período, mas quer um mecanismo que permita ao Reino Unido sair deste pacto unilateralmente, enquanto que Bruxelas entende que a decisão deve ser tomada em conjunto.

A estratégia de negociação tem sido alvo de críticas dentro do partido Conservador por partidários de um Brexit mais drástico e por militantes que querem manter vínculos estreitos à UE, tendo levado à demissão de vários membros do governo, o último dos quais o secretário de Estado dos Transportes.

Esta oposição interna poderá por em causa a aprovação de um acordo no parlamento, onde o governo tem uma maioria absoluta de apenas 13 lugares graças à aliança com o Partido Democrata Unionista, que também tem manifestado reservas sobre os planos de Theresa May.