A primeira-ministra britânica não conseguiu que o parlamento britânico apoia-se o segundo acordo, delineado na noite de segunda-feira com a Comissão Europeia. Numa votação menos renhida que o previsto, esta terça-feira, 391 deputados britânicos votaram contra o acordo e 242 a favor. 

Esta derrota é a quarta maior de um governo britânico na casa dos comuns, ultrapassada apenas pelas votações ao Caso Campbell, ambas em outubro de 1924. A votação da primeira proposta do acordo foi rejeitado por uma diferença de 202 votos, a maior de sempre.

Um resultado que era previsto pelos analistas britânicos. Um dos deputados do DUP, partido que apoia o governo de Theresa May, terá mesmo afirmado que "ela vai cair em grande".

Os resultados da votação deixam no ar uma incógnita, Jean-Claude Juncker garantiu, na última noite, que "não será dada uma terceira oportunidade"

Segue-se agora a votação de uma emenda, anunciada por May em fevereiro, que antevê a possibilidade de uma saída sem acordo. Se o documento for aprovado o Reino Unido deixa a União Europeia (UE) a 29 de março sem qualquer acordo, dando-se assim o chamado "hard Brexit", o Brexit duro. 

Em cima da mesa está ainda a possibilidade de um pedido para a extensão da saída do país da UE, a ser votado no dia 14 de março. Esta votação apenas decorrerá se a segunda emenda for chumbada, ou seja, se os deputados decidirem que a saída deverá ser feita com um acordo firmado entre Londres e Bruxelas.

O impasse entre os deputados britânicos dura desde junho de 2016, data da realização do referendo. O primeiro acordo foi aprovado pelos 27, mas os deputados britânicos rejeitaram-no, numa votação histórica. 

UE lamenta chumbo do Acordo

A União Europeia ficou dececionada com o chumbo do Acordo de Saída do ‘Brexit’ no parlamento britânico, mas revelou que os 27 estão disponíveis a considerar um adiamento da saída do Reino Unido, consoante os motivos evocados por Londres.

Lamentamos o desfecho da votação de hoje e estamos dececionados por o Governo britânico não ter conseguido assegurar a maioria necessária para aprovar o Acordo de Saída firmado entre as partes em novembro”, pode ler-se num comunicado veiculado, quer pela Comissão Europeia, quer pelo Conselho Europeu, minutos após o novo chumbo do texto na Câmara dos Comuns.

Na nota, a que a Agência Lusa teve acesso, a UE vinca que fez “tudo o que podia para ajudar a primeira-ministra a garantir que o Acordo – que ela negociou e firmou com a UE – fosse ratificado”.

Dadas as garantias adicionais proporcionadas pela UE em dezembro, em janeiro e ontem, não há mais que possamos fazer. Se há uma solução para este impasse, esta terá de ser encontrada em Londres”, defendem a Comissão Europeia e o Conselho Europeu.