Os dirigentes do Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, apelaram, este sábado, à primeira-ministra britânica Theresa May para deitar “o backstop ao lixo”, disposição do acordo do Brexit para a fronteira com a República da Irlanda.

Senhora primeira-ministra, a mensagem deste Congresso, expressa por cada secção do partido, é deitar ao lixo o ‘backstop’”, declarou Nigel Dodds, vice-presidente dos unionistas e porta-voz do partido sobre o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Em causa está a cláusula designada backstop, que forçaria a Irlanda do Norte a permanecer integrada nas estruturas comunitárias para evitar o estabelecimento de uma fronteira com a República da Irlanda.

O texto do Brexit expressa a determinação entre a União Europeia e o Reino Unido em alcançar um acordo que garanta “a ausência de uma fronteira rígida na ilha da Irlanda de forma permanente” sem que seja necessário acionar o chamado backstop, solução de recurso.

Nós votaremos sempre para proteger a nossa união (com a Grã-Bretanha), e não para a minar”, afirmou Nigel Dodds, deixando a entender que a DUP votará contra o texto, que deverá ser ratificado pelo parlamento britânico em dezembro.

Os 10 deputados da DUP na Câmara dos Comuns têm garantido a Theresa May a maioria para continuar a governar desde que o Partido Conservador perdeu a maioria absoluta nas eleições legislativas de 2017.

Os unionistas rejeitam um estatuto diferente para a Irlanda do Norte e para o resto do Reino Unido.

O acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia conheceu hoje um desenvolvimento fundamental, com o anúncio do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, de que a Espanha alcançou um acordo sobre Gibraltar e votará a favor do Brexit.

A determinação de Espanha em obter "garantias" sobre o futuro de Gibraltar tinha lançado dúvidas sobre o sucesso da cimeira europeia de domingo sobre o Brexit, destinada a aprovar um acordo histórico de separação entre a UE e o Reino Unido.

Após 17 meses de negociações, as duas partes conseguiram chegar a um entendimento para a retirada do Reino Unido e depois a uma declaração política sobre as futuras relações entre as duas partes, mas nos últimos dias as exigências espanholas surgiram como um obstáculo inesperado à aprovação unânime do acordo.