Os ministros britânicos Dominic Raab e Esther McVey, os secretários de Estado Shailesh Vara e Suella Braverman, e os sub-secretários de Estado Anne-Marie Trevelyan e Ranil Jayawardena demitiram-se de funções nesta quinta-feira, por discordarem do projeto de acordo do Brexit, alcançado na véspera entre Reino Unido e União Europeia.

Dominic Raab, ministro para o Brexit, defende que "não pode, em consciência, aceitar os termos do acordo propostos". Para Raab, o acordo é inaceitável e que "nenhuma Nação democrática jamais aceitou comprometer-se com um regime tão extenso".

Já McVey, ministra do Trabalho e Pensões, e uma das mais críticas do plano de Theresa May, considera que o mesmo "não honra os resultados do referendo" de 23 de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos apoiaram a saída da União Europeia, e ultrapassa todas as linhas vermelhas.

"Passámos de nenhum acordo é melhor que um mau acordo para qualquer acordo é melhor que nenhum acordo", escreveu Esther McVey, na sua carta de demissão.

A secretária de Estado de Dominic Raab, Suella Braverman, que foi responsável pelo Grupo de Investigação Europeia (European Research Group no original) antes de integrar o Governo, acredita que os britânicos vão considerar o acordo uma "traição".

Shailesh Vara, secretário de Estado para a Irlanda do Norte, foi o primeiro a anunciar a demissão, na sequência de um acordo que "deixa o Reino Unido numa casa em construção sem prazo limite quanto à sua soberania".

A primeira-ministra britânica, que está neste momento a apresentar o texto à Câmara dos Comuns, iniciou a sua declaração agradecendo a Dominic Raab e Esther McVey.

Theresa May lembrou os presentes que o acordo alcançado "não é final", tratando-se de "um rascunho de um tratato", que, apesar das críticas, "garante o interesse nacional" e permite sair da UE “de forma suave e ordeira”.

Segundo a imprensa britânica, 11 dos 18 membros do Governo que participaram no conselho de ministros que levou cinco horas para aprovar o documento criticaram o acordo. Este acordo acabou por ser aprovado por maioria, ou seja, sem unanimidade.

O Governo britânico aprovou na quarta-feira o rascunho de acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia, tendo sido encontrado com a União Europeia (UE) uma solução para evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

Já hoje, o presidente do Conselho Europeu anunciou, em Bruxelas, que prevê convocar uma cimeira extraordinária de líderes da União Europeia a 27 para dia 25 de novembro, para “finalizar e formalizar o acordo de Brexit” com o Reino Unido.