Pequim classificou esta sexta-feira como "extremamente fraco" o risco de um foguetão, que deverá entrar este fim de semana na atmosfera de forma descontrolada, provocar danos na superfície terrestre.

A China lançou na semana passada o módulo principal da sua primeira estação espacial permanente, que visa hospedar astronautas a longo prazo.

O módulo Tianhe, ou "Harmonia Celestial", foi lançado para o espaço recorrendo ao foguete Longa Marcha 5B, aparelho que deverá regressar agora à Terra, embora ninguém consiga prever exatamente onde cairá.

A probabilidade de causar danos às atividades aéreas ou no solo é extremamente fraca", disse à imprensa um porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin.

 

Devido à composição técnica deste foguete, a maioria dos componentes serão incinerados e destruídos ao entrarem na atmosfera", acrescentou.

Normalmente, as partes dos aparelhos espaciais que não são necessários são imediatamente guiados para se destruírem por fricção na atmosfera terrestre, mas isso não aconteceu com o foguete chinês.

O departamento de Defesa dos EUA, citado pela Associated Press, prevê que o aparelho caia na Terra no sábado, mas só "horas antes da sua reentrada" na atmosfera será possível prever onde, disse o Pentágono na terça-feira.

Os EUA não descartam a possibilidade de os destroços caírem numa zona habitada e por isso estão a seguir de perto a situação.

A organização Aerospace Corp. prevê que os destroços que resistam à entrada na atmosfera caiam no Pacífico, junto ao Equador, após passar sobre cidades no leste dos EUA.

O foguete Longa Marcha 5B, de cerca de 30 metros e entre 17 e 21 toneladas, será um dos maiores destroços espaciais a cair na Terra, pelo que "merece uma monitorização cuidadosa" disse o Serviço de Vigilância e Seguimento Espacial da União Europeia, citado pela agência EFE.

Este consórcio está há dias a vigiar o trajeto do gigantesco objeto espacial chinês.

O lançamento da semana passada foi o primeiro de 11 missões necessárias para construir e abastecer a futura estação espacial chinesa e enviar uma tripulação de três pessoas até ao final do próximo ano.

Pelo menos 12 astronautas estão a treinar para viver na estação, incluindo veteranos de missões anteriores. A primeira missão tripulada, a Shenzhou-12, está prevista para junho.

Quando concluída, no final de 2022, a Estação Espacial Chinesa deverá pesar cerca de 66 toneladas, consideravelmente menor do que a Estação Espacial Internacional, que lançou o seu primeiro módulo em 1998 e pesará cerca de 450 toneladas.

A exploração espacial é fonte de grande orgulho nacional na China, mas esta não é a primeira vez que o país perde o controlo de um objeto espacial no seu regresso à Terra.

Em abril de 2018, o laboratório espacial Tiangong-1 desintegrou-se ao reentrar na atmosfera, dois anos após deixar de funcionar.

As autoridades chinesas negaram que o laboratório tivesse escapado ao seu controlo.

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