O presidente da Conferência Episcopal de Timor-Leste, Basílio do Nascimento, bispo de Bacau, disse esta quarta-feira à Lusa, recear que falte «ginástica diplomática» ao novo Presidente da República, Taur Matan Ruak, para lidar com a exigência das próximas eleições legislativas.

«Como militar que é, receio que lhe falte um bocado de ginástica diplomática», explica o bispo, admitindo que "isso também tem que se aprender», lembrando, contudo, que a 7 de julho realizam-se já as eleições legislativas, que contam com 24 partidos políticos concorrentes e durante as quais, defende, o novo Presidente da República, eleito à segunda volta na passado segunda-feira, pode e deve ter um papel importante.

Em Fátima, onde participa como observador da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, Basílio do Nascimento, caracteriza ainda o general e antigo chefe das Forças Armadas de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, como «uma pessoa dialogante, muito firme nas suas convicções, muito direta».

O presidente da Conferência Episcopal de Timor-Leste mostra-se preocupado com a profusão de partidos que disputam as eleições legislativas, sustentando que «a dispersão dos votos pode colocar em causa que um partido tenha uma maioria» e, desta forma, não garantir «as rédeas do Governo» se não conseguir colocar em prática o seu programa.

«E quem sofre é o país em si», frisa, preocupado que, a confirmar-se este cenário, Timor-Leste viva um futuro marcado por «paragens sistemática ou cíclicas» de «eleições antecipadas em eleições antecipadas».

Basílio do Nascimento recorda que o problema do número de partidos já foi abordado pelo Centro Nacional de Eleições e deixa a dúvida: «Por um lado é uma expressão de liberdade, mas não sei se é fruto da imaturidade» ou se esta abundância é benéfica e se se deve deixar «que o bom senso do povo vá fazendo a seleção natural das coisas».

A Conferência Episcopal de Timor-Leste é a mais pequena do mundo, já que é constituída apenas por três bispos, de três dioceses, uma delas a de Bacau.
Redação