O governador do estado brasileiro do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afirmou esta sexta-feira que recebeu com surpresa a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) que o afastou do cargo numa investigação sobre desvio de dinheiro da área da saúde.

A defesa do governador Wilson Witzel recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade. Os advogados aguardam o acesso ao conteúdo da decisão para tomar as medidas cabíveis”, disse uma mensagem publicada na conta de Witzel na plataforma Twitter.

Witzel, ex-juiz e governador do Rio de Janeiro eleito em 2018, foi afastado do cargo por 180 dias por alegada participação em esquemas ilícitos que desviaram recursos da área da saúde durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Desde o início da manhã, procuradores do Ministério Público Federal (MPF), polícias federais e auditores da Receita Federal cumprem diversos mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos principais nomes do governo ‘fluminense’.

As diligências foram autorizadas pelo juiz do STJ Benedito Gonçalves, que também determinou o afastamento de Witzel do cargo por 180 dias.

Segundo apurado pelos investigadores, a partir da eleição de Wilson Witzel, estruturou-se no âmbito do governo estadual uma organização criminosa, dividida em três grupos, que disputavam o poder mediante o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos”, referiu um comunicado sobre a operação publicado pelo MPF.

Alegadamente liderados por empresários, esses grupos teriam dividido algumas das principais pastas do governo do estado para implementar esquemas ilícitos que beneficiassem as suas empresas.

O MPF também informou que 17 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 11 temporárias, e 72 de busca e apreensão estão a ser cumpridos no Palácio Laranjeiras, no Palácio Guanabara, na residência do vice-governador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, além de outros endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais e no Distrito Federal.

Os investigadores suspeitam que neste alegado esquema ilícito implantado dentro do governo do Rio de Janeiro “o principal mecanismo de obtenção de recursos financeiros pelos grupos era por meio do direcionamento de licitações de organizações sociais, mediante a instituição de uma caixinha de suborno”.

Deste modo, haveria “cobrança de um percentual sobre pagamentos de restos a pagar a empresas fornecedoras do estado”.

Existe a suspeita de que agentes políticos e servidores públicos da Secretaria de Saúde do estado do Rio de Janeiro seriam pagos mensalmente pela alegada organização criminosa.

Uma das operações objeto da operação diz respeito a contratação da Organização Social Iabas para gerir os hospitais de campanha idealizados para o tratamento de pacientes com covid-19 na pandemia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou formalmente esta sexta-feira uma denúncia contra Witzel, a primeira-dama Helena Witzel, Lucas Tristão, Mário Peixoto, Alessandro Duarte, Cassiano Luiz, Juan Elias Neves de Paula, João Marcos Borges Mattos e Gothardo Lopes Netto.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 3,7 milhões de casos e 118.649 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 832 mil mortos e infetou mais de 24,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

/ JGR