Uma jovem de 16 anos do Sudão do Sul, no norte de África, foi leiloada no Facebook e comprada por um empresário da mesma região para ser a sua décima esposa.

Familiares de Nyalong Ngong Deng venderam a menina a troco de 530 vacas, três carros Toyota Land Cruiser e 10 mil dólares (aproximadamente 8.750 euros).

Uma fotografia da jovem foi publicada na rede social no dia 25 de outubro. Os habitantes locais afirmaram que a adolescente foi vendida pouco tempo depois.

O Facebook apercebeu-se do anúncio do leilão, mas não excluiu a publicação a tempo de evitar que o acordo fosse fechado. O casamento realizou-se a 3 de novembro e as contas envolvidas no leilão só foram banidas da rede social no dia 9 do mesmo mês.

Qualquer forma de tráfico humano – publicações, páginas, publicidade e grupos – não é permitida no Facebook. Nós removemos a publicação e desativámos permanentemente as contas das pessoas que a fizeram”, explicou um porta-voz da rede social à CNN.

De acordo com fontes locais, um acordo normalmente não excede as 30 vacas. Contudo, o facto de Nyalong Ngong Deng ser descendente da etnia Dinka, uma das mais altas de África, foi um fator determinante para fechar o acordo.

Para além do empresário que conseguiu comprar a jovem, houve outros quatro homens interessados, incluindo um alto dirigente político do estado do país africano.

A advogada da Aliança Nacional das Mulheres Advogadas do Sudão do Sul, Monica Adhiue, explicou que a publicação pode não ter sido feita pelos pais da jovem, mas sim por familiares que queriam beneficiar do dinheiro que iriam receber do empresário.

Vários representantes de organizações de direitos humanos já se manifestaram e temem que o alto valor que foi pago por Nyalong influencie outras famílias a tentarem vender as suas filhas online.

É inacreditável que uma rapariga possa ser vendida para casamento na maior rede social do mundo”, salientou George Otim, diretor da Plan International South Sudan, uma organização de direitos humanos de raparigas.

A organização Plan International South Sudan avançou com um pedido no governo do Sudão Sul para que sejam investigadas e suspensas as pessoas envolvidas em leilões de jovens.

O casamento infantil é uma violação grave dos direitos humanos e uma forma de violência contra raparigas”, afirmou George Otim, em comunicado. Isso pode ter consequências graves na sobrevivência, saúde, educação, desenvolvimento e bem-estar de uma criança e é frequentemente realizado contra a sua vontade e interesses.”

De acordo com dados da UNICEF, a idade legal de casamento no Sudão do Sul é de 18 anos, mas mais de 50% das raparigas do país casam antes de os completarem.