O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou esta quarta-feira o início de uma nova operação militar contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), apoiada pelos países ocidentais, mas considerada terrorista por Ancara.

As Forças Armadas turcas e o Exército Livre da Síria (rebeldes sírios apoiados por Ancara) iniciaram a operação ‘Fonte de paz’ no norte da Síria”, declarou Erdogan através da rede social Twitter.

 

 

Pelo menos 15 pessoas, incluindo oito civis, morreram durante a ofensiva turca contra as forças curdas no nordeste da Síria, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos

 

 

 

O anúncio veio depois de o governo dos Estados Unidos informar no domingo que não iria obstaculizar uma operação turca contra as milícias curdas, no norte da Síria, dizendo que retiraria o seu contingente militar de várias zonas deste país, numa decisão muito contestada dentro e fora dos EUA. 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse esta quarta-feira numa conversa telefónica com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, que uma ofensiva turca contra uma milícia curda síria contribuirá para a "paz e estabilidade" na Síria.

Durante esta conversa, o Presidente declarou que a operação militar planeada a leste do Eufrates contribuirá para a paz e estabilidade da Síria e facilitará o caminho para uma solução política", segundo uma fonte da Presidência turca.

Após duas operações anteriores, a Turquia prepara-se para lançar uma nova ofensiva na Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera como um grupo "terrorista", mas que é apoiada pelos países ocidentais.

Vários países, incluindo a França, mostraram-se preocupados com as consequências humanitárias de uma nova frente no conflito sírio, bem como o destino dos milhares de 'jihadistas' do grupo extremista Estado Islâmico (EI) detidos em campos controlados pelas forças curdas.

 

 

Ancara explicou que o seu objetivo é criar uma "zona segura" que possa albergar refugiados sírios na Turquia e separar a fronteira turca das posições da YPG.

Após o anúncio no domingo, pela Casa Branca, de uma retirada dos soldados norte-americanos da Síria, o Presidente dos EUA, Donald Trump, fez declarações contemporizadoras, ao assegurar que “não abandonou” os curdos e ameaçando “destruir completamente a economia da Turquia” caso Ancara “ultrapasse os limites”.

A Rússia e a Turquia, que apoiam lados opostos no conflito sírio, intensificaram a sua cooperação nos últimos anos, em particular no noroeste da Síria.

Na terça-feira, Moscovo apelou para que “não seja sabotada a resolução pacífica” do conflito na Síria, em alusão à ofensiva que Ancara pretende lançar.

O Presidente Vladimir Putin e o seu Conselho de segurança sublinharam, durante a reunião, “a importância, no atual momento, de evitar qualquer ação que poderá sabotar uma resolução pacífica” do conflito no contexto da formação recente de um Conselho constitucional, segundo o porta-voz Dmitri Peskov, citado pelas agências russas.

 

 

Enquanto a operação turca parece cada vez mais iminente, com o destacamento de milhares de combatentes e tanques na fronteira síria, o porta-voz do Presidente turco falou esta quarta-feira com o conselheiro de segurança nacional do Presidente dos EUA, Robert O'Brien.

Segundo a Presidência turca, Ibrahim Kalin e O'Brien debateram "o estabelecimento da zona de segurança".

Manteremos a ONU [Nações Unidas] e todos os países envolvidos, incluindo a Síria, informados sobre o desenrolar da operação", indicou esta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlüt Cavusoglu, citado pela agência estatal Anadolu.

Jean-Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia em funções pediu esta quarta-feira o fim da ofensiva lançada pela Turquia no norte da Síria, advertindo que nenhum financiamento europeu será concedido ao plano turco de criar “uma zona de segurança” no território sírio.

A Turquia deve parar com a operação militar em curso. Não irá resultar. E se o plano da Turquia é a criação de uma zona de segurança, não espere pelo financiamento da União Europeia (UE)”, afirmou Jean-Claude Juncker, diante do Parlamento Europeu reunido em Bruxelas.

As Forças Democráticas Sírias interromperam as operações militares contra o Estado Islâmico, na sequência do ofensiva militar turca, avançou a Reuters.

As Forças Democráticas Sírias interromperam as operações contra o Estado Islâmico porque é impossível conduzir qualquer operação quando se está a ser ameaçado por um vasto exército na fronteira norte”, disse um militar curdo à Reuters.

A operação militar da Turquia contra as forças curdas estacionadas no nordeste da Síria é uma “má ideia” e não angaria o apoio dos Estados Unidos, afirmou esta quarta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Os Estados Unidos não patrocinam este ataque e [Trump] tornou claro à Turquia que esta operação é uma má ideia”, informou a Casa Branca em comunicado, horas depois de Ancara ter lançado os primeiros bombardeamentos contra as Forças Democráticas da Síria.