A polícia turca iniciou esta terça-feira várias operações para deter 167 soldados com supostas ligações à irmandade de Fethullah Gülen, o religioso acusado por Ancara de ser o líder do golpe falhado de 2016 no país.

O Ministério Público de Izmir, a terceira maior cidade turca na costa do Mar Egeu, ordenou a prisão de 110 soldados, dos quais 98 são oficiais da força aérea ativos no país.

Entre esses suspeitos estão 16 pilotos, sete coronéis, 41 tenentes, 33 suboficiais e um sargento, informou a agência de notícias oficial turca Anadolu.

Em outra operação, ordenada pelo procurador-geral de Istambul, a polícia deteve 57 soldados, incluindo vários oficiais e sargentos no ativo.

A justiça turca continua, portanto, com a perseguição de opositores supostamente relacionados com a irmandade islâmica conservadora de Fethullah Gülen.

Desde a tentativa de golpe, mais de 120.000 funcionários do Estado foram demitidos e cerca de 50.000 estão na prisão, acusados de fazerem parte da irmandade.

Cerca de 30.500 dos 273.000 polícias que compõem o corpo foram demitidos desde 2016 por supostas ligações "gülenistas".

Gülen, exilado nos Estados Unidos há duas décadas, foi até 2013 um aliado próximo do atual Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Naquele período, muitos dos seguidores da irmandade ocupavam cargos de responsabilidade na Administração do Estado e no exército turco.

O clérigo conservador nega veementemente o envolvimento na tentativa de golpe militar de 2016, que foi esmagada por forças leais a Erdogan num único dia.

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