Estávamos nos primeiros dias do imprevisível ano 2020 quando Harry e Meghan levaram Donald Trump a perder o lugar cimeiro nas manchetes dos jornais em todo o mundo. Recuando até aos gélidos primórdios meses do ano, o (já não por muito tempo) presidente dos Estados Unidos da América estava prestes a começar uma guerra com o Irão e depois recuou, quando os duques de Sussex tomaram de assalto a imprensa mundial com a notícia de que iriam abdicar dos seus títulos reais e partir para os Estados Unidos da América.

A boa notícia não chegou ao mundo através de um comunicado lido, como nos filmes de época, por um pregoeiro à porta de um qualquer palácio, mas sim numa publicação no instagram. Estes príncipes do século XXI sempre se pautaram pela modernidade na comunicação, assim como na forma como encaram a monarquia e por isso, naquele oitavo dia de 2020, marcavam posição.

Pretendemos recuar como membros seniores da família real e trabalhar para nos tornarmos financeiramente independentes, enquanto continuamos a apoiar totalmente Sua Majestade a Rainha”, continuam, “é com o seu encorajamento, nomeadamente nos últimos anos, que nos sentimos preparados para a transição”.

 

Nesse mesmo comunicado, o filho mais novo da princesa Diana e a ex-estrela da série norte-americana ‘Suits’, deixam também claro que planeiam equilibrar o tempo entre o Reino Unido e a América do Norte.

O que terá conduzido a esta decisão?

Os sinais de que o casal não estava feliz com o elevado nível de mediatismo já eram evidentes e corria o mês de novembro de 2019 quando, num documentário produzido por uma estação de televisão britânica, Meghan assumia que a adaptação à família real estava a ser “difícil”.  A atriz afirmava que “não estava preparada para o nível de escrutínio dos média”, assim como afirmava que “não podemos simplesmente sobreviver a algo, esse não é o objetivo da vida, temos de evoluir”.

Nesse mesmo documentário, considerado por alguns especialistas em monarquia como o “ponto de viragem”, o príncipe Harry também descreveu o estado da sua saúde mental ao afirmar que a pressão que sentia por parte da imprensa, o levava a “cuidados constantes”.

Eu pensei que estava fora de perigo e, de repente, tudo voltou, e isso é algo que tenho de aprender a gerir. Parte deste trabalho significa ter de manter a postura, mas, há muitas coisas, divulgadas nos jornais, que magoam, especialmente quando são mentiras”, relatava o filho mais novo do príncipe Carlos.

Segundo Jonny Dymond, especialista da BBC em assuntos da realeza britânica, foi a grande carga de trabalho e de exposição na imprensa, que o casal “simplesmente não suportava”, que os levou a tomar a decisão de abandonar os cargos na família real britânica.

Desde o início da relação que pareceu claro que este casal ganhava vida no encontro com as multidões, mas o que se veio a perceber é que Harry odiava as câmaras e ficava aborrecido nas cerimónias oficiais”, comentou Dymond.

O ponto alto da exposição do descontentamento do casal com a imprensa foi quando o casal processou o jornal Dailymail e, em carta aberta, o príncipe Harry afirmou, "Perdi a minha mãe e agora vejo minha esposa a ser vítima das mesmas forças poderosas".

Até ao momento, o que se sabe é que Harry e Meghan vivem, desde então, com o filho Archie nos Estados Unidos da América, mais precisamente em Los Angeles. O casal tenta estar longe dos holofotes da imprensa e, no decorrer deste ano de pandemia, foram raras as vezes em que apareceram em público. 

Poderíamos afirmar que toda esta história viria a dar uma grande temporada da série 'The Crown', mas os produtores já confirmaram que não vai ser retratada no sucesso da Netflix.

Diogo Assunção