O arqueólogo egípcio Zahi Hawass admitiu esta terça-feira a possibilidade de em Março serem encontrados os túmulos de Cleópatra e Marco António, nas escavações que estão a ser realizadas próximo de Alexandria, no Egipto.

Hawass, director do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto (CSAE), falava à Lusa após ter recebido hoje o doutoramento honoris causa pela Universidade Nova de Lisboa.

À Lusa, o responsável afirmou que «há essa forte possibilidade de se encontrar os túmulos dos dois amantes» no interior da pirâmide de Queóps, revelando que será enviado um robot para fazer as primeiras sondagens.

O investigador, que pensou ser advogado na juventude, defendeu o regresso das peças arqueológicas únicas da civilização faraónica ao Egipto, nomeadamente a Pedra de Roseta.

O busto de Nefertiti, a estátua de Ramsés II, as estátuas da I Grande Pirâmide e as da II Grande Pirâmide são outros artefactos que Zawass quer ver regressarem ao Egipto.

O Grande Museu que está em construção no Egipto, que será o 25.º da rede egípcia, terá todas as condições para receber os diferentes artefactos da antiga cultura egípcia, que se encontram em museus da Europa e das Américas.

Zawass afirmou que irá encetar todos os esforços no sentido do regresso das peças à sua terra de origem.

Questionado sobre a iniciativa de encerrar alguns túmulos faraónicos, o director do CSAE disse que tal acontecerá «daqui a um ano» estando já a ser executadas «as réplicas perfeitas» para os turistas visitarem.

Os túmulos de Tutankhamon, Seti I e de Nefertari, mulher do Faraó Ramsés II, serão encerrados e no Vale dos Reis estão a ser construídas réplicas que os turistas poderão visitar.

A medida foi justificada pelo arqueólogo no sentido de garantir sua preservação, senão daqui a cem anos não haverá nada, frisou.

Na cerimónia de doutoramento honoris causa, a madrinha, a egiptologia Maria Helena Trindade Lopes, justificou a distinção não só pelas qualidades científicas de Zahi Zawass como «por ter conduzido a civilização faraónica às casas e aos corações das pessoas».

No seu breve discurso, Zawass sublinhou que os sítios arqueológicos do Egipto «não são só do povo egípcio, mas sim pertença de todos os povos».

O cientista salientou ainda que num território onde escavaram tantas nações, está actualmente a decorrer a primeira campanha exclusivamente dirigida por egípcios.

Esta é a 64.ª campanha naquela república árabe, e decorre nos arredores de Alexandria.

Portugal está presente naquele país com uma concessão em Mênfis, dirigida por Maria Helena Trindade Lopes.
Redação / CLC