O antigo legislador russo, Denis Voronenkov, foi assassinado a tiro no centro de Kiev, de acordo com a polícia ucraniana.

Houve uma troca de tiros em frente à entrada do Premier Palace Hotel, há cerca de 40 minutos. Um homem foi morto e outras duas pessoas ficaram feridas. A identidade do homem morto foi estabelecida. Trata-se de um político russo, ex-membro da Duma. Posso confirmar que é Denis Voronenkov”, disse o chefe da polícia de Kiev, Andrey Krishchenko, citado pela TASS, uma agência de notícias russa.

Andrey Krishchenko disse ainda que o assaltante feriu o guarda-costas de Denis Voronenkov, durante uma troca de tiros.

(O suspeito) está sob proteção policial. Está a receber assistência médica prioritária, num hospital”, referiu Krishchenko aos repórteres, de acordo com o canal russo RT.

O ex-deputado foi baleado duas vezes na cabeça, quando estava na esquina das ruas Taras Schevchenko Boulevard e Pushkinska, perto da entrada do Premier Palace Hotel, em Kiev, na Ucrânia.

Denis Voronenkov, ex-membro do Partido Comunista Russo, emigrou da Rússia para a Ucrânia, em outubro de 2016. Em dezembro, recebeu a cidadania ucraniana, tendo desistido da nacionalidade russa. 

Segundo o canal RT, Voronekkov era bastante crítico das autoridades russas.

O antigo legislador russo estava na lista dos cidadãos mais procurados da Rússia, desde 15 de fevereiro, e também numa lista dos cidadãos mais procurados a nível internacional, desde 27 de fevereiro, por estar acusado de planear uma fraude em grande escala.  

Dennis Voronenkov também já tinha sido acusado de corrupção, numa investigação feita por um membro da oposição russa, Aleksey Navalny, que teria descoberto que Voronenkov tinha muito mais ativos do que aquilo que declarava anualmente.

A polícia ucraniana acredita que a Rússia é responsável do assassinato de Voronenkov, de acordo com o canal russo RT.

Considerando a identidade da vítima, umas das prioridades da Federação Russa é eliminar esta pessoa, que deu um testemunho importante nos processos que tiveram lugar na Ucrânia”, afirmou à imprensa o vice-chefe da Comissão Nacional da Polícia da Ucrânia, Aleksandr Vakulenko, citado pela agência de notícias Interfax-Ucrânia.

Menos de uma hora depois do assassinato, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, descreveu o acontecimento como um “um ato de terrorismo financiado pela Rússia”, segundo o seu assessor de imprensa.

Não é por acaso que o assassinato ocorreu no mesmo dia que a sabotagem, em Balakleya, na região de Kharkov, na Ucrânia”, disse Poroshenko, citado pelo seu assessor de imprensa, Svyatoslav Tsegolko, numa publicação no Facebook.

Na noite de quarta-feira, um incêndio deflagrou em vários locais de armazenamento de armas de artilharia e foguetes, na cidade ucraniana de Balakleya. As autoridades ucranianas abriram dois processos, alegando “sabotagem” e “neglicência”.

Anatoly Matios, o principal promotor militar da Ucrânia, escreveu no Facebook  que, segundo dados preliminares, a explosão e o incêndio tinham sido resultado de sabotagem.

A Rússia negou as acusações de ligação ao assassinato de Denis Voronenkov.

Acreditamos que qualquer noção de uma ligação russa no assassinato do antigo deputado do Duma, Denis Voronenkov, é absurda. Esperamos que o assaltante e aqueles que estão por trás das suas ações sejam identificados”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov aos jornalistas, de acordo com o canal russo RT.

A porta-voz do Ministério das Relações Externas russo, Maria Zakharova, classificou o assassinato como “um assassinato contratual deliberado”.

Moscovo ficou chocado com as informações sobre o assassinato cruel do ex-deputado da Duma, Denis Voronenkov, no centro de Kiev, a 23 de março. Os dados disponíveis até agora sugerem que foi um assassinato contratual deliberado”, disse Zakharova, numa conferência de imprensa.

/ BM