A União Europeia (UE) está a empreender “todos os esforços” para garantir a libertação do jornalista bielorrusso Roman Protasevich e da companheira, que foram detidos em condições “absolutamente ilegais”, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Nós continuamos a fazer todos os esforços para garantir a libertação das duas pessoas detidas na Bielorrússia porque elas foram detidas em condições absolutamente ilegais”, afirmou Augusto Santos Silva à entrada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, antes da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

Questionado pelos jornalistas sobre a acusação de pirataria dirigida pelas autoridades bielorrussas a Paris, depois de França negar a passagem de um avião da Belavia Belarusian Airlines que partiu de Minsk (Bielorrússia) em direção a Barcelona (Espanha), o ministro sublinhou que essas acusações “não têm qualquer fundamento”.

“A França está a limitar-se a aplicar a decisão que o Conselho Europeu tomou na passada segunda-feira”, acrescentou o governante, referindo-se ao pedido feito pelos líderes europeus, reunidos em Bruxelas, para que as companhias aéreas europeias evitassem o espaço aéreo bielorrusso.

Para Santos Silva, as condições em que o jornalista e ativista Roman Protasevich e a companheira foram detidos, num desvio de um voo de Atenas (Grécia) para Vílnius (Lituânia), foram, “essas sim, de pirataria aérea patrocinada por um Estado”.

As sanções da UE sobre a Bielorrússia estão entre os temas que constam da agenda da reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros, que hoje se reúnem em Lisboa no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.

Em cima da mesa estarão também as relações com África, bem como com o Indo-pacífico – duas prioridades da presidência portuguesa -, os chamados ‘conflitos não resolvidos’ na vizinhança leste da UE e a situação no Médio Oriente.

“Em todos esses temas as discussões serão muito importantes e, tenho a certeza, também frutíferas entre os ministros europeus”, frisou Santos Silva.

A Bielorrússia é acusada de ter desviado, no domingo, um avião da companhia aérea irlandesa Ryanair para Minsk, a fim de deter o opositor bielorrusso Roman Protasevich, de 26 anos, que estava a bordo.

Várias instituições e países do Ocidente condenaram já a ação das autoridades bielorrussas, que asseguram ter agido dentro da legalidade ao intercetar o voo comercial, argumentando que havia uma ameaça de bomba feita pelo grupo palestiniano Hamas.

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