A Comissão Europeia pediu esta quarta-feira aos países da União Europeia (UE) para se focarem em aumentar a cobertura vacinal anticovid-19 em vez de considerarem doses de reforço, que só devem ser administradas a imunodeprimidos e idosos frágeis.

O Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) defendeu esta quarta-feira não existir “necessidade urgente” de administrar doses de reforço da vacina contra a covid-19, dado que os fármacos aprovados na UE são “altamente protetores” contra doença grave.

Reagindo ao documento, a comissária europeia da tutela, Stella Kyriakides, afirma numa posição partilhada com alguns meios de comunicação em Bruxelas que “o que é fundamental agora é que as vacinas forneçam uma proteção adequada e forte”.

Congratulo-me com o relatório de hoje do ECDC, que coloca a ciência como princípio orientador das próximas etapas das campanhas de vacinação contra a covid-19, e, embora doses adicionais sejam aconselhadas para proteger ainda mais os nossos mais vulneráveis - os imunodeprimidos e os idosos frágeis - são ainda necessários mais dados para ajudar a formar orientações sobre vacinas de reforço para a população em geral”, salienta a responsável.

Por isso, é agora mais necessário “aumentar as taxas de vacinação e avançar com a vacinação total em toda a UE”.

Isto é essencial para ajudar a ganhar a corrida contra este vírus e quaisquer variantes futuras”, sublinha Stella Kyriakides.

Quanto à administração de terceiras doses na UE, a comissária europeia da Saúde só o admite à população em geral no futuro “se as provas científicas demonstrarem que este é o caminho a seguir”.

No documento divulgado esta quarta-feira e ao qual a Lusa teve acesso, o ECDC indica que “as provas disponíveis neste momento relativamente à eficácia da vacina no ‘mundo real’ e à duração da proteção mostram que todas as vacinas autorizadas na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] são atualmente altamente protetoras contra a hospitalização relacionada com a covid-19, doença grave e morte”.

E, por essa razão, “não há necessidade urgente de administrar doses de reforço de vacinas a indivíduos totalmente vacinados na população em geral”, sustenta o organismo.

Ainda assim, o centro europeu admite “a opção de administrar uma dose adicional de vacina a pessoas que possam ter uma resposta limitada ao ciclo primário de vacinação”.

Aqui incluem-se “algumas categorias de indivíduos imunodeprimidos, por exemplo, recetores de transplante de órgãos sólidos”, bem como “indivíduos mais velhos frágeis, em particular os que vivem em ambientes fechados”, precisa a agência europeia de aconselhamento aos países.

Na que toca à população em geral, “fornecer a todos os indivíduos elegíveis o regime de dose recomendada deve continuar a ser a prioridade atual dos programas de vacinação anticovid-19 na UE e EEE”, adianta o ECDC no relatório.

Em Portugal, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu na semana passada a administração de uma terceira dose da vacina anticovid-19 a estes dois grupos populacionais mais vulneráveis.

Em entrevista à Lusa divulgada esta quarta-feira, o diretor do departamento de Vigilância do ECDC, Bruno Ciancio, afirma que, “de momento, não há absolutamente nenhuma prova que mostre que a terceira dose é necessária para todos”.

A nossa posição é de que, basicamente, as pessoas que provavelmente nunca responderão ao ciclo com duas doses podem precisar realmente de uma terceira dose, mas não como um reforço, antes como uma conclusão do seu ciclo inicial e estou a falar de pessoas que são imunodeprimidas”, acrescenta.

Atualmente, 70% da população adulta da UE já foi inoculada com duas doses de vacina contra a covid-19, num total de mais de 250 milhões de pessoas totalmente vacinadas.

/ NM