O responsável pelas questões climáticas da União Europeia disse esta terça-feira que o bloco europeu deve garantir que as pessoas mais vulneráveis não paguem o preço mais alto da transição verde e prometeu medidas que garantam a divisão igualitária dos encargos.

A única coisa que não podemos permitir é que o lado social se oponha ao lado do clima. Vejo essa ameaça muito claramente agora que temos uma discussão sobre o aumento dos preços no setor da energia", disse Frans Timmermans, vice-presidente da Comissão Europeia (CE) encarregado das questões climáticas.

À medida que a procura global por gás aumentou, os preços da energia subiram em toda a Europa, num momento em que a UE pressiona por uma rápida eliminação do carvão e pelo desenvolvimento de fontes sustentáveis de energia. Os preços do carbono dispararam nos últimos meses, com impacto nas contas de luz.

Apenas cerca de um quinto do aumento dos preços pode ser atribuído ao aumento dos preços do CO2. O resto é simplesmente consequência da escassez do mercado”, disse Timmermans, lembrando que os preços das renováveis estão a ser mantidos baixos e estáveis.

Timmermans falou no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, durante um debate sobre uma proposta de legislação que visa ajudar o bloco a reduzir as emissões dos gases que causam o aquecimento global em pelo menos 55% até 2030.

Timmermans disse que os aumentos de preços no setor da energia devem levar o bloco a acelerar a transição para as energias renováveis.

O responsável da CE sublinhou que se a transição tivesse começado mais cedo, a situação atual não teria surgido porque os países seriam menos dependentes dos combustíveis fósseis e do gás natural.

As propostas da comissão incluídas no “Pacote Fit for 55” apresentado este verão abrangem cerca de uma dúzia de propostas importantes, que vão desde a eliminação de facto dos carros a gasolina e gasóleo até 2035 até novas taxas sobre os gases de aquecimento de edifícios.

O pacote envolve uma reformulação do programa de comércio de emissões do bloco, segundo o qual as empresas pagam pelo dióxido de carbono que emitem e introduzem impostos sobre o transporte marítimo e os combustíveis para aviação pela primeira vez.

Timmermans disse que as propostas do poder Executivo da UE, que devem ser endossadas pelos países da UE e aprovadas pelo Parlamento, darão a oportunidade a todos os 27 membros de introduzir medidas de proteção aos seus cidadãos, incluindo a redução de impostos sobre o IVA, impostos sobre energia ou apoio direto às famílias.

Enquanto alguns legisladores expressaram as suas preocupações sobre o impacto do plano sobre os preços da energia, o legislador Ska Keller disse que os subsídios públicos para os combustíveis fósseis deveriam terminar imediatamente numa mudança acelerada para energias renováveis.

Pascal Canfin, presidente da comissão parlamentar para o meio ambiente, elogiou a proposta de acabar com os carros a gasolina e a gasóleo, mas expressou ceticismo com a ideia de estender o mercado de carbono da UE aos transportes e edifícios.

“Porque acreditamos que o custo político é extremamente alto e o impacto climático é muito baixo”, afirmou.

Colocar um preço nas emissões de edifícios e transportes levantou preocupações de que a medida pudesse desencadear protestos sociais em toda a Europa, semelhantes ao movimento dos “coletes amarelos” que começou em França em 2018 após um aumento dos impostos sobre os combustíveis.

Os líderes mundiais concordaram há seis anos, em Paris, em trabalhar para evitar que as temperaturas globais aumentem mais de dois graus Celsius e, idealmente, não mais que 1,5 graus Celsius até ao final do século.

Os cientistas dizem que ambas as metas serão por uma larga margem, a menos que medidas drásticas sejam tomadas para reduzir as emissões.

“Acredito que ainda podemos reverter. Acredito que podemos evitar que a crise climática fique fora de controlo”, disse Timmermans.

/ JGR