A universidade pública espanhola Rei Juan Carlos é suspeita de ter concedido diplomas académicos fraudulentos a centenas de cidadãos italianos, disse hoje uma fonte judicial de Madrid à agência France Presse.

De acordo com a mesma fonte, um tribunal de Madrid abriu um inquérito para averiguar a atribuição de diplomas do curso de Direito obtidos por cerca de 500 italianos na universidade Rei Juan Carlos.

Os títulos académicos terão permitido aos “diplomados” o registo como profissionais junto da Ordem dos Advogados em Madrid e, provavelmente, noutras cidades espanholas, refere a mesma fonte citada pela agência de notícias francesa.

Por outro lado, e segundo o jornal digital espanhol eldiario.es, os supostos diplomas validaram os anos de estudo em Itália evitando o pagamento de mestrados onerosos nas universidades italianas.

O diploma terá permitido aos italianos o registo de autorização para o exercício da advocacia em Madrid. Os respetivos titulares ficam também autorizados a exercer a profissão em toda a União Europeia, incluindo em Itália, onde foi imposto um número limite de registos, refere ainda a publicação digital.

Contactada pela France Presse, a Ordem dos Advogados de Madrid remeteu eventuais responsabilidade e explicações para a universidade e para a secretaria de estado que tutela o ensino superior.

O inquérito judicial em curso diz respeito ao Instituto de Direito Público da Universidade Rei Juan Carlos e que se encontra no centro de vários escândalos políticos em Espanha.

Várias personalidades políticas são suspeitas de obtenção de mestrados em condições de vantagem por terem sido dispensadas de frequentar as aulas, tendo-lhes sido, em alguns casos, atribuídas notas elevadas.

Dois dos casos mais destacados dizem respeito a Cristina Cifuentes, presidente da Comunidade de Madrid (Partido Popular), obrigada a demitir-se em abril, e a ex-ministra da Saúde do atual governo socialista, Carmen Monton, forçada a apresentar a demissão pelos mesmos motivos.

Envolvido no mesmo caso encontra-se o líder do Partido Popular, Pablo Casado, suspeito de ter recebido um mestrado nas mesmas condições.

A Universidade já dissolveu, entretanto, o Instituto de Direito Público, estando o ex-diretor, Enrique Alvarez Conde, a ser investigado.

De acordo com a estação de rádio Cadena SER, Alvarez Conde, poderá ter recebido, desde 2012, pagamentos não justificados e que ultrapassaram os 100 mil euros.

As suspeitas sobre os títulos académicos estão a atingir os políticos espanhóis incluindo o primeiro-ministro Pedro Sánchez que foi acusado de plagiar a tese de doutoramento.

Sánchez negou no passado dia 13 de setembro que tenha plagiado a tese de doutoramento, afirmando ser “rotundamente falso” as notícias nesse sentido publicadas em vários órgãos de comunicação social espanhóis.

“É rotundamente falso”, afirmou Pedro Sánchez através da sua conta na rede social Twitter, acrescentando que, “a menos que haja retificação da informação publicada”, avançará com ações legais em defesa da sua honra e dignidade.