A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está a “avaliar cuidadosamente” o futuro do comissário europeu do Comércio, Phil Hogan, envolvido num escândalo por violação de regras contra a covid-19, e emitirá em breve uma decisão.

“A presidente da Comissão está a analisar e a estudar cuidadosamente o relatório enviado ontem [terça-feira] pelo comissário Hogan. […] Ela irá completar a sua avaliação quando entender que dispõe do panorama geral”, declarou a porta-voz do executivo comunitário Dana Spinant.

Questionada na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, sobre as polémicas que envolvem o responsável irlandês, Dana Spinant assegurou que Ursula von der Leyen “está em contacto com Hogan sobre isto”, tendo ainda recebido informação das autoridades irlandesas.

Já relativamente a eventuais mudanças no colégio de comissários, caso Von der Leyen decida terminar com o mandato de Phil Hogan, a porta-voz disse ser “prematuro falar de alterações”.

“Ainda não estamos nessa fase”, assegurou Dana Spinant, explicando ainda assim que “cabe à presidente reorganizar o colégio de comissários, de acordo com as matérias”.

Phil Hogan visitou o seu país entre 31 de julho e 21 de agosto e, na quarta-feira da semana passada, participou num jantar de comemoração dos 50 anos do clube de golfe do parlamento irlandês, com 82 convidados, entre os quais o então ministro da Agricultura, Dara Calleary, que se demitiu do cargo na sexta-feira.

Na terça-feira, Phil Hogan admitiu que a sua presença neste jantar na Irlanda sem cumprimento das restrições contra a pandemia de covid-19 foi um "erro" que o enfraqueceu em Bruxelas.

Em entrevista ao canal público irlandês RTE, Phil Hogan disse sentir-se "envergonhado" após o "erro cometido", apesar de ter testado negativo para a covid-19 e de ter feito "tudo o que era possível para não colocar ninguém em risco".

"As pessoas têm razão em ficar irritadas com essas ações, dados os sacrifícios que muitas delas fizeram para cumprir as regras de saúde pública", frisou.

Na sequência do caso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu um relatório ao comissário para o Comércio, de forma a ter mais detalhes sobre o que se passou.

Phil Hogan descreveu, entretanto, a visita à Irlanda num comunicado de quatro páginas, no qual afirmou ter recebido "garantias dos organizadores de que o jantar obedeceria a todas as normas de saúde", ainda para mais com a presença de "membros do Governo".

Já o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, frisou, em comunicado emitido na terça-feira, que o comissário europeu para o Comércio "não deveria ter comparecido ao jantar do clube de golfe", apesar do pedido de desculpas de Hogan.

"Está claro que o comissário Phil Hogan violou as recomendações de saúde desde sua chegada à Irlanda", observou o chefe de Governo irlandês.

No domingo, o primeiro-ministro da Irlanda anunciou que iria convocar o parlamento para discutir um jantar que violou as restrições instauradas contra a pandemia, pedindo ao comissário europeu para o Comércio para considerar a demissão.

O primeiro-ministro, líder do partido Fianna Fail, e o vice-primeiro-ministro Leo Varadkar, anterior chefe de Governo e líder do Fine Gael, partido pelo qual Phil Hogan foi deputado, adiantaram terem "falado com o comissário Hogan" para lhe pedirem "que assumisse as suas responsabilidades".

Phil Hogan foi também apanhado ao telefone enquanto conduzia por um polícia irlandês, dois dias antes do jantar. "Lamento sinceramente ter atendido o telefone enquanto conduzia", escreveu.

/ AM