Imagens de drone que parecem mostrar centenas de prisioneiros, vendados, numa estação de comboios na China estão a aumentar as preocupações sobre o comportamento das autoridades face à comunidade muçulmana Uyghurs na região chinesa de Xinjiang.

O vídeo, publicado no YouTube anonimamente durante a semana passada, mostra centenas de homens, com as cabeças rapadas, vendados com faixas brancas, dispostos em filas, sentados no chão e com as mãos atrás das costas vigiados por outras tantas dezenas de oficiais.

Nas roupas dos alegados prisioneiros, roxas ou cor-de-laranja, é possível ler as palavras “Centro de Detenção Kashgar”.

O vídeo, apesar de ter sido tornado público há uma semana, não tem data nem está a confirmada a sua autenticidade.

De acordo com a CNN, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China não quis responder aos “vários pedidos” para comentar as imagens. Já as autoridades de Xinjiang afirmaram, no final da semana passada, que “reprimir crimes de acordo com a lei é uma prática comum de todos os países”.

A repressão dos crimes em Xinjiang nunca esteve relacionada com etnias ou religiões”, esclarece o comunicado, citado pela CNN. “Transportar reclusos pelas autoridades judiciais está relacionado com atividades judiciais normais”.

Os prisioneiros na China são, geralmente, transportados com vendas nos olhos. Neste caso, não se sabe se os homens estão detidos por incidentes criminais ou por outras razões.

Nos últimos dois anos e meio a China tem detido centenas de milhares de Uyghurs e outras minorias étnicas, predominantemente muçulmanas, numa atividade que Pequim considera serem "campos voluntários de desradicalização" e "centros de treinamento vocacional".

Um oficial dos serviços secretos do Ocidente disse à CNN que acreditava que o vídeo era autêntico.

A China precisa de ser questionada acerca destes comportamentos", disse. "Muitos países apoiam a China nos direitos humanos sem entenderem que o país parece estar a tentar acabar com toda a identidade Uyghur".

Um antigo antigo prisioneiro em Xinjiang também encontra aspetos familiares ao observar as imagens do vídeo.

Amanzhan Seiit, um muçulmano Kazakh, contou que foi detido na China, em 2018, mas nunca soube por que razão. Depois de várias semanas num campo, foi transportado para outro lugar num registo muito semelhante ao que se vê no vídeo.

Obrigavam-nos a sentar exatamente assim”, disse o homem. “Punham-nos algemas nas mãos e nas pernas e máscaras na nossa cabeça. Havia muitos polícias com armas”.

Após vários meses, foi libertado e obrigado a fugir para o Casaquistão, onde vive hoje em dia.

Eu ainda me assusto ao ver estas imagens, porque eu sei perfeitamente o que é que os prisioneiros estão a pensar”, disse Seiit. “Eles nem sabem para onde vão ou se vão disparar e matá-los. É horrível”.