A Alemanha está prestes a começar negociações bilaterais com a Rússia para a compra de vacinas contra a covid-19. A decisão de adquirir a Sputnik V foi confirmada à agência Reuters por uma fonte ligada ao processo, e que acrescentou que um acordo final depende do fornecimento de dados da Rússia à Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Esta decisão terá surgido na sequência da reunião dos ministros da Saúde dos Estados-membros da União Europeia, num encontro que foi presidido por Marta Temido, e que teve como ponto principal a discussão da vacina da AstraZeneca.

Foi na mesma reunião que a Alemanha ficou a saber que a Comissão Europeia não planeia entrar em conversações com a Rússia para elaborar um contrato preliminar para a vacina, à semelhança daquilo que fez com outras farmacêuticas.

Será por isso mesmo, escreve a Reuters, que o ministro alemão da Saúde, Jens Spha, anunciou aos seus homólogos europeus que o país vai avançar de forma bilateral para negociações preliminares com a Rússia.

Para começar, a Alemanha pretende saber quantas doses da vacina será a Rússia capaz de produzir e entregar, pretendendo também saber qual a meta prevista para essa distribuição.

Em todo o caso, a Alemanha só irá comprar a vacina russa caso seja aprovada pela EMA, pelo que o fornecimento dos dados dos ensaios clínicos é essencial.

Ainda antes da decisão do ministro da Saúde, a região da Baviera informou que ia comprar 2,5 milhões de doses da vacina russa, caso fosse aprovada pela EMA, numa compra que está prevista para julho.

A intenção da Alemanha passa por conseguir ter a vacina da Sputnik V assim que a EMA a aprove, caso isso venha a acontecer. O país tenta desta forma adiantar-se na corrida, podendo receber a vacina russa muitos antes de qualquer outro Estado-membro da União Europeia.

Recorde-se que a aprovação de vacinas contra a covid-19 está a cargo da EMA em quase todos os países, mas os contratos com as farmacêuticas dependem exclusivamente de cada país.

Uma exeção é a Hungria, que faz parte da União Europeia, mas que decidiu comprar a vacina Sputnik V e a chinesa da Sinopharm.

Apesar de ser um dos países mais ricos da União Europeia, a Alemanha só administrou, até agora, 17,99 doses de vacinas anti-covid-19 por cada 100 habitantes do país, um valor que fica bastante abaixo da média dos 27, que se situa nas 18,58 unidades por centena de pessoas.

Moscovo, por seu lado, só tem conseguido entregar pequenas quantidades da sua vacina, já que não tem capacidade para produzir o suficiente e decidiu dar prioridade à população russa.

Desde a primeira injeção de vacina, dada no dia a seguir ao Natal, a Alemanha já comprou três tipos de fármaco: o da Pfizer/BioNTech, o da Astrazeneca, sob condições, e o da Moderna.

Uma quarta vacina, da Johnson & Johnson, deverá ser distribuída por toda a União Europeia nas próximas semanas.

António Guimarães