A farmacêutica britânica AstraZeneca revelou, nesta quarta-feira, que não foi a primeira vez que suspendeu os ensaios clínicos da vacina contra a covid-19 e que em julho já tinha suspendido os testes, depois de detetada aquela que poderia ser a primeira reação adversa, adianta a Reuters.

Então, foi diagnosticada esclerose múltipla num dos voluntários, mas a investigação concluiu que a doença neurológica não estava relacionada com a vacina.

A Astrazena, que, em conjunto com a Universidade de Oxford, desenvolveu uma potencial vacina contra a covid-19, esclareceu, ainda, que é "incorreto" afirmar que a segunda hipotética reação adversa, conhecida na terça-feira, se trata de uma síndrome inflamatória da espinal medula (mielite transversa), uma vez que o diagnóstico ainda não foi concluído.

A farmacêutica britânica suspendeu, na terça-feira, os ensaios clínicos da sua vacina, que estavam já numa fase avançada em larga escala, devido a uma "reação adversa" num voluntário no Reino Unido.

De acordo com a empresa, tratou-se de "um procedimento normal" para "permitir a revisão dos dados de segurança".

Trata-se de um procedimento de rotina que é aberto sempre que há uma doença potencialmente inexplicável durante um ensaio, para que possa ser investigado, assegurando a integridade dos ensaios", esclareceu a farmacêutica.

A AstraZeneca admitiu, ainda, que a reação adversa no voluntário, que foi detetada no Reino Unido, possa não ter origem na vacina.

Em testes de larga escala, as doenças acontecem por acaso, mas devem ser revistas de forma independente para que sejam verificadas com cuidado. Estamos a trabalhar para acelerar a revisão de um único evento para minimizar qualquer impacto potencial no cronograma do teste. Estamos comprometidos com a segurança de nossos participantes e os mais altos padrões de conduta nos nossos testes", justificou.

No passado dia 27 de agosto, a Comissão Europeia oficializou a compra de 300 milhões de doses desta vacina, sendo que Portugal garantiu perto de sete milhões de doses.

O primeiro-ministro António Costa admitiu que a suspensão dos ensaios clínicos da AstraZeneca são uma “má notícia”.

Num artigo publicado na revista The Lancet, cientistas da Universidade de Oxford afirmaram que os resultados preliminares dos testes à vacina contra a covid-19 mostraram que provocou uma resposta imunitária em centenas de pessoas.

Catarina Machado