O primeiro bebé já com anticorpos contra a covid-19 nasceu em fevereiro nos EUA.

Segundo o testemunho dos médicos Paul Gilbert e Chad Rudnick, a mulher, que é profissional de saúde e que tem trabalhado na linha da frente da pandemia no sul da Flórida, recebeu uma dose da vacina Moderna contra o coronavírus em janeiro, quando estava com 36 semanas de gravidez. Três semanas depois deu à luz uma menina "vigorosa e saudável".

Os investigadores analisaram então o sangue do cordão umbilical da bebé e detetaram anticorpos, o que significa que "a vacinação materna poderá contribuir para a proteção e redução do risco de infeção de Sars-CoV-2” dos filhos.

Até onde sabemos, este é a primeira vez que é relatado o caso de um bebé que nasce com anticorpos após a vacinação da mãe”, disse Paul Gilbert, citado pelo jornal The Guardian. “Analisámos o cordão da bebé para ver se os anticorpos da mãe tinham passado para o bebé, uma vez que é algo que costuma acontecer com outras vacinas administradas durante a gravidez. Os resultados mostraram que sim."

No entanto, os médicos afirma que são necessários mais estudos para determinar se de facto os bebés ficam protegidos por esses anticorpos: “Instamos outros investigadores a criar registos de gravidez e amamentação, bem como a conduzir estudos de eficácia e segurança das vacinas covid-19 em mulher grávidas ou que estejam a amamentar os filhos."

Este é só um caso mas em breve, com o aumento da vacinação da população, poderão ser milhares os bebés nascidos nos próximos de meses de mães que foram vacinadas, sublinhou Chad Rudnick. “São necessários mais estudos para perceber quanto tempo dura esta proteção. Seria importante determinar qual o nível de proteção ou que quantidade de anticorpos um bebé precisa ter para estar protegido". 

O artigo dos dois médicos foi pré-publicado na plataforma MedRxiv e aguarda agora o reconhecimento da comunidade científica.

Maria João Caetano