A Organização Mundial de Saúde (OMS) saudou esta segunda-feira os mais recentes resultados dos ensaios clínicos das vacinas contra a covid-19 em desenvolvimento, mas salientando que as vacinas terão que chegar a milhares de milhões de pessoas.

Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia, o diretor-geral daquela agência das Nações Unidas, Tedros Ghebreyesus, afirmou que os resultados de pelo menos três vacinas já anunciados permitem ter “esperança real de que as vacinas, em conjunto com outras medidas de saúde pública comprovadas, ajudarão a acabar com esta pandemia”.

O desenvolvimento destas vacinas em meses é um “feito científico cuja importância não pode ser subestimada”, declarou Ghebreyesus, salientando que a urgência com que se lançou a investigação para as obter tem que ter urgência equivalente na sua “distribuição justa” por todos os países.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que é "importante haver várias vacinas e de vários tipos, uma vez que será preciso vacinar milhares de milhões de pessoas”.

A mais recente vacina cujos ensaios clínicos foram divulgados, a do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford tem uma taxa média de eficácia de 70 por cento, enquanto as da Pfizer/BioNTech e da Moderna apresentam, segundo os resultados preliminares, taxas de eficácia na casa dos 95%.

A vice-diretora da OMS, Mariângela Simão, referiu que a agência está em contacto com as empresas e que está “muito esperançosa” na avaliação dos resultados dos testes clínicos, que se prevê que possam estar concluídos “no princípio do próximo ano”.

Em relação à vacina da AstraZeneca, Soumya Swaminathan salientou que pode ser armazenada “temperaturas normais de refrigeração”, entre 2 e 8 graus centígrados, o que significa “enormes vantagens logísticas” para a sua distribuição e armazenamento, enquanto as da Pfizer/BioNTech e da Moderna exigem armazenamento a temperaturas extremamente baixas, inferiores a 70 graus negativos.

Vacinação em grande escala possível mesmo em cenários de conflito

A vacinação contra a covid-19 vai ser possível mesmo em cenários de conflito e de crise humanitária, garantiu Christopher Maher, assessor do diretor geral da OMS e antigo responsável pela erradicação da poliomielite.

Maher disse que a OMS tem experiência de planos de vacinação em grande escala, mesmo em países afetados por conflitos, como Síria, Somália e Afeganistão. 

Estou relativamente confiante que os cenários de crise humanitária não representam um obstáculo intransponível para introduzir vacinas eficazes contra a covid-19”, afirmou o epidemiologista australiano, num seminário intitulado "O Vírus, a Vacina e a Violência”, promovido pelo Instituto Real de Relações Internacionais Chatham House. 

Maher, que trabalhou 25 anos para a OMS em programas de vacinação contra a poliomielite em várias partes do mundo, incluindo como responsável na Região Mediterrânica Oriental, disse que "envolver comunidades é crítico” e que, em muitas situações, é necessário garantir "no mínimo, a neutralidade de autoridades locais”

Existe sempre um risco” de os líderes locais tentarem “instrumentalizar” politicamente a distribuição das vacinas, admitiu, mas está convencido de que a OMS vai ser capaz de intervir na maioria dos países.  

 

A experiência que é que temos conseguido em cenários muito difíceis que isso não aconteça, através do contacto com grupos armados não oficiais, com os próprios Estados e com as comunidades”, acrescentou. 

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.388.590 mortos resultantes de mais de 58,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.971 pessoas dos 264.802 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

/ CE - Notícia atualizada às 20:00