O Brasil anunciou que vai fabricar uma vacina própria, a Butanvac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, contra a covid-19, que aguarda autorização dos órgãos reguladores para começar imediatamente os testes em pessoas.

É um anúncio histórico para o mundo. A vacina cem por cento nacional, com testes promissores e fruto do trabalho de uma instituição de 120 anos, que é a maior produtora de vacinas do hemisfério sul”, disse o governador de São Paulo, João Doria, numa conferência de imprensa na sede do Instituto Butantan.

A primeira vacina brasileira contra a covid-19 será integralmente desenvolvida pelo Instituto Butantan e usará a mesma tecnologia aplicada na vacina contra a gripe.

O governo ‘paulista’ indicou que espera terminar a investigação com voluntários até julho, o que em tese permitiria a aplicação da vacina, caso a eficácia seja comprovada, no segundo semestre deste ano.

O Butantan informou que pretende iniciar a produção deste imunizante em maio.

Segundo o governador ‘paulista’, a previsão é que 40 milhões de doses da Butanvac estejam disponíveis no país ainda este ano.

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, explicou que a nova vacina usa um vírus inativado que é inoculado em ovos embrionários, um método tradicional já utilizado para a produção da vacina da gripe.

Nós já estamos falando de uma segunda geração de vacinas. Já é a vacina ‘2.0’. Aprendemos com as vacinas anteriores e sabemos o que é uma boa vacina para a covid-19. Ela [Butanvac] é mais imunogénica e, portanto, poderemos usar menores doses da vacina por pessoa”, afirmou Covas.

O diretor do Butantan também frisou que o instituto pretende “oferecer essa vacina a países de baixa e média renda, que é onde é preciso combater a pandemia".

"A pandemia pode estar sob controlo na América do Norte e na Europa, mas o vírus continuará em países da África, Ásia e América Latina América”, advertiu.

O medicamento em desenvolvimento já passou pelos testes pré-clínicos, realizados em animais, para detetar possíveis efeitos positivos ou de toxicidade.

Uma das características deste projeto de vacina é que ele já leva em conta a variante brasileira, chamada P1.

Os testes clínicos em humanos da Butanvac necessitam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo Covas, a documentação e o pedido para a continuidade da pesquisa serão enviados hoje à agência reguladora.

Se os testes em humanos forem autorizados, contarão com a participação de 1.800 voluntários nas fases um e dois.

Na fase três, que determina a eficácia de uam vacina, a previsão é de seleção de 7 mil a 9 mil voluntários.

O governo paulista também informou que enviará ainda hoje à Organização Mundial de Saúde (OMS) toda a documentação para acompanhar o processo de desenvolvimento do medicamento em todas as suas fases.

A Butanvac foi criada dentro de um consórcio em parceria com órgãos de investigação do Vietname e da Tailândia.

O Butantan, um instituto de investigação brasileiro subordinado ao governo regional do estado de São Paulo, embala e também desenvolve a produção da vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, que é usada em 90% dos vacinados no Brasil.

Os outros dez por cento dos imunizados no país estão a receber doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford.

/ MJC