A ministra francesa da Indústria, Agnès Pannier-Runacher, acreditada que a União Europeia não deverá renovar os contratos de compra da vacina contra a covid-19 com o grupo farmacêutico AstraZeneca em 2022.

“A decisão não está tomada”, mas, depois da decisão de quarta-feira da Dinamarca de abandonar a administração da vacina, “é muito provável” que a Europa não faça novos pedidos, disse esta sexta-feira a ministra, que se referia à renovação do contrato europeu prevista para 2022.

O contrato em vigor cobre já a entrega de 300 milhões de doses de vacinas em 2021 e uma opção para 100 milhões de doses adicionais.

Não iniciámos discussões com a Johnson & Johnson e com a AstraZeneca para um novo contrato, mas já iniciámos com a Pfizer/BioNTech e com a Moderna”, sublinhou.

“Temos um portfólio de vacinas com RNA mensageiro que funciona muito bem e tem poucos efeitos secundários, esperamos ter as novas vacinas Novavax e Sanofi, que são de proteínas recombinadas e que têm resultados muito bons”, explicou a ministra francesa.

Estas vacinas vão chegar no segundo semestre, por isso, teremos muitas doses nas diferentes plataformas para responder a todas as necessidades”, garantiu.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu, esta semana, que a Pfizer-BioNTech “provou ser um parceiro de confiança, que honrou os seus compromissos e responde às necessidades”, ao contrário do que aconteceu com a AstraZeneca.

Hoje, a Comissão pediu à Agência Europeia do Medicamento para rever os dados sobre a AstraZeneca, para garantir uma “abordagem coerente e unificada” na União Europeia.

“Criámos um sistema que nos permite monitorizar de perto como as vacinas estão a ser utilizadas e […] é essa a base da carta que a comissária [europeia da Saúde enviou à EMA], para garantir que existe uma abordagem coerente e unificada em relação à vacina, baseada numa abordagem científica”, declarou o porta-voz do executivo comunitário para a área da Saúde.

A Dinamarca tornou-se, na quarta-feira, no primeiro país europeu a anunciar o abandono definitivo da vacina da AstraZeneca, justificando a decisão com os efeitos secundários “raros, mas graves” e apesar da autorização do regulador europeu e da organização Mundial de Saúde para continuar a administrar o fármaco.

A campanha de vacinação da UE tem sido marcada por atrasos na entrega de vacinas por parte da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca e pelos efeitos secundários do seu fármaco, dada a confirmada ligação a casos muito raros de formação de coágulos sanguíneos

/ MJC