O cofundador da farmacêutica alemã BioNTech, Ugur Sahin, lembrou esta quinta-feira que a eficácia máxima da sua vacina só é atingida sete dias após a toma da segunda dose e sublinhou também que seis meses depois essa imunidade começa a diminuir, o que implica que, entre nove meses e o ano seguinte, será necessário injetar uma terceira dose da vacina e assim garantir a manutenção da imunidade máxima.

Atualmente a vacina da BioNTech/Pfizer é administrado em duas doses, com 21 dias de intervalo. Sahin garantiu que, de acordo com ensaios clínicos, com 40 mil participantes, essa inoculação fornece 95% de proteção. Em condições reais, acrescentou, referindo-se ao caso de Israel, onde já existem mais de cinco milhões de vacinados, o grua de imunidade pode chegar aos 97%. Os estudos da farmacêutica mostram que depois de seis meses a proteção desce para  91% e a partir daí continua a diminuir.

Precisaremos de uma terceira dose para aumentar a imunidade novamente e aproximá-la de 100%", confirmou o imunologista que ajudou a criar esta vacina. 

Provavelmente, disse Sahin, o que vai acontecer é que, depois, terão de ser aplicadas doses sucessivas da vacina a cada ano e meio, como acontece com a vacina da gripe sazonal.

O cientista turco está confiante de que a vacina desenvolvida pelo seu laboratório e distribuída em parceria com a americana Pfizer é "eficaz" também contra a variante indiana.

A variante indiana tem mutações que já estudamos e contra as quais a nossa vacina funciona, o que nos deixa confiantes", disse Sahin em conferência de imprensa, sobre esta mutação que muito mais agressiva do que as detetadas anteriormente.

Na mesma conferência de imprensa, o cofundador da BioNTech afirmou que a Europa pode chegar a um cenário de imunidade de grupo à covid-19 já no próximo mês de julho ou, no máximo, em agosto.

Já quanto ao fim das restrições para as pessoas já vacinadas Sahin mostrou-se cauteloso. É claro que isso vai acontecer, disse, pois “todos esperamos voltar à normalidade”, mas devemos evitar cair na “discriminação” entre os imunizados e os que não o são. “É preciso ter muita cautela e não cair na chamada 'cultura da inveja'”, aconselhou.

Maria João Caetano