A vacina russa Sputnik v contra a covid-19 pode vir a ser produzida brevemente em Portugal, na zona de Paredes de Coura, admitiu em entrevista à Rádio Renascença o CEO da IbertAtlantic, Pedro Mouriño.

A Farmacêutica Zendal e o consórcio de investimentos IberAtlantic estão em negociações com o fundo soberano de investimentos da Rússia, que é o titular dos direitos internacionais de produção da Sputnik v, para garantir a sua produção na Península Ibérica, não só em Vigo, na Galiza, onde fica a fábrica da Zendal, mas também em Paredes de Coura, onde está a ser construída uma nova fábrica desta farmacêutica. 

"[Estamos a preparar] o alargamento das capacidades produtivas do grupo Zendal. Nesta altura, já está a produzir o antigénio da Novavax, que é uma das vacinas norte-americanas mais avançadas, para todo o mercado europeu, e está a alargar os seus armazéns em Porriño, na Galiza, e as novas instalações em Paredes de Coura.”

As instalações de Paredes de Coura estão a ser construídas pela Zendal e, segundo foi anunciado em janeiro, a unidade deverá estar operacional até ao final do ano.

Entretanto, a IberAtlantic já pediu há duas semanas a aprovação da vacina Sputnik v pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) e espera que até ao final do maio este processo seja concluído.

A única coisa que a Agência Europeia do Medicamento tem que fazer é analisar do ponto de vista da segurança e da eficácia. Uma vacina como a Sputnik V que já está reconhecida pela comunidade científica internacional e acreditada em mais de 50 países, é muito difícil explicar que não é possível comercializar essa vacina no território da União Europeia”, sublinha Pedro Mouriño.

Se tudo correr, como previsto, Mouriño espera que no verão a Zendal já possa colocar a Sputnik V não só no mercado espanhol mas também em Portugal e noutros países europeus, uma vez que a autorização da EMA é para todo o espaço da União Europeia.

No caso de Portugal, a Sputnik V poderia ser útil pois, com todos os problemas que tem havido com a vacina da AstraZeneca e com os atrasos previstos com a vacina da Johnson, Pedro Mouriño não acredita que em agosto se cumpram as previsões de ter mais de metade da população portuguesa já vacinada. "Não é provável que isso aconteça. Acho que vamos precisar de mais vacinas ainda no segundo semestre do ano", diz. 

Maria João Caetano