A China prometeu esta quarta-feira que vai dar uma "resposta adequada e necessária", caso se confirme mais uma venda de armas pelos Estados Unidos a Taiwan, ilha que Pequim considera estar sob a sua soberania.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse que a venda de 600 milhões de dólares (515 milhões de euros) em drones armados a Taipé "interfere gravemente nos assuntos internos da China e mina seriamente a soberania e os interesses de segurança" do país asiático.

Os EUA devem cancelar todas as vendas de armamento a Taiwan para "evitarem maiores danos nas relações China - EUA e na paz e estabilidade no estreito de Taiwan", disse Wang aos jornalistas, em conferência de imprensa.

A China, que considera Taiwan uma província sua, vai dar uma "resposta adequada e necessária, de acordo com o desenvolvimento da situação", acrescentou.

O Departamento de Estado norte-americano disse na terça-feira que deu sinal verde para a compra por Taiwan de quatro drones MQ-9 'Reaper', visando "modernizar as Forças Armadas" e manter as "capacidades de defesa" da ilha.

O departamento disse ainda que o negócio "atende aos interesses nacionais, económicos e de segurança dos Estados Unidos".

Esta é a terceira grande venda de armas para Taiwan que o Executivo liderado pelo republicano Donald Trump aprova em menos de três semanas.

O valor total do armamento vendido ascende aos 4,8 mil milhões de dólares (mais de quatro mil milhões de euros).

Na semana passada, o Governo aprovou planos para a venda de sistemas de mísseis Harpoon, horas depois de Pequim ter anunciado sanções contra fornecedores de equipamento de defesa dos EUA, por causa de um acordo anterior de venda de armas.

O Partido Comunista da China ameaça usar a força para anexar Taiwan, que considera uma província separatista, desde que os lados se separaram, após a guerra civil, em 1949.

Washington cortou as relações diplomáticas com Taipé em 1979, mas os Estados Unidos aprovaram uma lei no mesmo ano que dizia que deveriam ajudar Taiwan a defender-se em caso de conflito.

As relações entre China e EUA deterioraram-se rapidamente nos últimos dois anos, marcadas por disputas em torno do comércio, tecnologia, direitos humanos, ou o estatuto de Hong Kong e a soberania do mar do Sul da China.

/ CE