As autoridades norte-americanas apresaram, pela primeira vez, quatro petroleiros iranianos que transportavam gasolina para a Venezuela, noticiou, na quinta-feira, o diário The Wall Street Journal (WSJ).

Os cargueiros Luna, Pandi, Bering e Bella foram apresados em alto-mar, há alguns dias, depois de uma autorização emitida por um juiz federal e estão em rota para Houston, no Texas (sul dos Estados Unidos).

A medida contra os navios foi aplicada sem uso da força, indicou o WSJ, citando um responsável, que pediu o anonimato.

A confiscação dos petroleiros aconteceu depois de, no ano passado, os Estados Unidos terem recorrido, sem sucesso, a acordos judiciais para obter o controlo sobre o navio-tanque iraniano Grace 1, capturado em Gibraltar.

Na semana passada, um juiz federal, em Washington, considerou que os procuradores federais tinham apresentado provas suficientes de que o Grace 1 e o combustível eram ativos de uma organização terrorista.

Segundo o jornal, dois dos barcos agora confiscados, o Bering e o Bella, navegavam por águas de Cabo Verde quando foi apresentada a denúncia, pedindo o apresamento.

Por outro lado, o Luna e o Pandi teriam enviado, por última vez, um sinal de rádio, a partir de águas de Omã, há um mês.

Washington afirmou que um empresário iraniano, alegadamente membro dos Guardas da Revolução, considerados terroristas pelas autoridades norte-americanas, organizou entregas de combustível através de uma rede de empresas fantasmas para evitar que fossem descobertas e assim fugir às sanções em vigor, acrescentou o WSJ.

Em maio de 2019, as autoridades norte-americanas confiscaram um barco de Coreia do Norte, que afirmaram ter sido usado para transportar carvão, numa violação das sanções norte-americanas e internacionais ao país.

A medida contra os navios é a última de uma série de ações para pressionar Teerão e Caracas, na sequência de sanções económicas impostas por Washington.

A confiscação tem lugar numa altura em que há escassez de gasolina na Venezuela, país que em maio recebeu cinco navios com 245 milhões de litros de combustível enviados pelo Irão, numa ação de “solidariedade e valentia”, nas palavras do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Entretanto, Washington aplicou sanções aos capitães dos barcos Clavel, Petunia, Fortuna, Bosque e Faxon, que transportaram esse combustível.

Nos últimos dias ocorreram protestos em várias localidades venezuelanas, devido à falta de combustível.

A imprensa venezuelana noticiou que os barcos agora confiscados vão ficar bloqueados em território norte-americano e impedidos de navegar em águas dos Estados Unidos.

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