O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, convocou para sábado uma grande manifestação nacional e internacional de apoio à União Europeia e ao ultimato dado ao presidente Nicolás Maduro para convocar eleições livres no país. O anúncio foi feito numa altura em que o número de detidos no âmbito de protestos contra o governo venezuelano já vai em 791, segundo dados divulgados pelo Fórum Penal Venezuelano (FPV), uma organização não-governamental de defesa de direitos humanos.

No sábado, grande mobilização nacional e internacional. Estaremos nas ruas de toda a Venezuela e em todo o mundo, para acompanhar, apoiar a União Europeia e o ultimato que deu", disse este domingo.

Juan Guaidó publicou um vídeo no Twitter, no qual convocou também os venezuelanos a realizarem ações de protesto na quarta-feira, 30 de janeiro, entre as 12:00 e as 14:00 horas locais (entre as 16:00 e as 18:00 horas em Lisboa) nos escritórios, casas, postos de trabalho e transporte público.

Guaidó começou a sua intervenção fazendo um balanço das ações realizadas pela oposição e fazendo referência aos países que já lhe manifestaram apoio.

Usamos este meio porque sabemos que proibiram rádios e canais [de televisão] de dizer o meu nome. Eu lembro a Nicolás Maduro que quem tem medo do nome também tem medo das ideias e da força que o povo da Venezuela está a imprimir neste processo", argumentou.

Guaidó referiu ter participado numa missa, para orar pelos venezuelanos, pelo sacrifício dos jovens sobre quem, de maneira ingrata e desnecessária, as Forças de Ações Especiais (FAES) atentaram nos dias mais recentes.

"Quero que saibam que não vai ser em vão o sacrifício e o esforço dos nossos jovens nas ruas. O mundo tem visto de maneira muito clara e transparente que as nossas manifestações têm sido massivas, contundentes e pacíficas", disse.

Instou os venezuelanos a passarem a mensagem sobre a Lei de Amnistia às Forças Armadas, exigindo a entrada de ajuda humanitária no país, de alimentos e medicamentos, e anunciou que estão a ser enviadas comunicações formais a todos os países para proteger os ativos venezuelanos e impedir que continuem a saquear e a roubar os recursos da Venezuela.

A mensagem de Guaidó foi divulgada numa altura em que o número de detidos no âmbito de protestos contra o governo venezuelano já vai em 791, segundo dados divulgados pelo Fórum Penal Venezuelano (FPV), uma organização não-governamental de defesa de direitos humanos.

Continuamos a receber denúncias e verificar os dados. No Fórum Penal confirmamos 791 detenções de manifestantes, na Venezuela, desde 21 de janeiro de 2019", anunciou o porta-voz daquela organização, Gonçalo Himiob, na sua conta na rede social Twitter.

Segundo o FPV, o Distrito Capital regista o maior número de detidos, 171, seguido pelos estados de Arágua (112), Zúlia (97), Monágas (59), Yaracuy (50), Bolívar (48) e Portuguesa (37). Foram ainda registadas detenções nos Estados de Amazonas (23), Anzoátegui (5), Apure (7), Barinas (6), Carabobo (33), Cojedes (26), Falcón (1), gáurico (7), Lara (25), Miranda (25), Nueva Esparta (13), Sucre (2), Táchira (17) e Vargas (27).

Os detidos são acusados, segundo aquela organização não-governamental, de delitos de terrorismo, instigação ao ódio, alteração da ordem pública e desacato à autoridade, entre outros.

Os dados anteriores, divulgados no sábado pelo FPV, davam conta que 369 pessoas tinham sido detidas na Venezuela,

 

Guaidó pede a António Guterres "cooperação internacional urgente"

O autoproclamado presidente interino pediu "cooperação internacional urgente" para a "emergência humanitária" no país, numa carta dirigida no sábado ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Na carta, Guaidó solicita, para o efeito, a "ativação dos mecanismos de apoio célere e gestão de crises do sistema das Nações Unidas" e das suas agências associadas.

O presidente da Assembleia Nacional venezuelana justifica o pedido com a "situação de emergência" no país, onde "milhões de vítimas" "sofrem por não terem acesso à saúde, alimentação, educação e segurança" e onde há uma "violência crónica".

O nosso país requer a generosa solidariedade internacional para sair da desastrosa situação em que se encontra", escreve ao antigo primeiro-ministro português.

A carta é dirigida a António Guterres com conhecimento dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países com assento no Conselho de Segurança da ONU, dos líderes das várias agências das Nações Unidas, incluindo o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino, e dos presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, do Conselho da Europa, Donald Tusk, e do Parlamento Europeu, Antonio Tajani.

A Venezuela, país onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Juan Guaidó autoproclamou-se na quarta-feira presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Nesse dia, e em resposta aos Estados Unidos, que apoiam Guaidó, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou a rutura das relações diplomáticas com o país, principal importador do petróleo venezuelano.

A Austrália juntou-se a Estados Unidos, Canadá, Israel e vários países europeus e da América Latina (incluindo Brasil, Colômbia e Argentina) que já reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela.

A União Europeia deu um prazo de oito dias a Nicolás Maduro para convocar novas eleições, findo o qual reconhece legitimidade a Guaidó e ao parlamento para organização do processo eleitoral.

Maduro, que tem como aliados a Rússia, a China, o Irão e a Turquia, considerou no domingo "uma insolência" o prazo dado pela União Europeia.

O Observatório Venezuelano de Conflitualidade Social anunciou no sábado que pelo menos 29 pessoas foram mortas nessa semana em protestos contra o Governo de Nicolás Maduro.

 

 número de detidos no âmbito de protestos contra o Governo venezuelano subiu de 369 para 791, segundo dados divulgados hoje pelo Fórum Penal Venezuelano (FPV), uma organização não-governamental de defesa de direitos humanos.

"Continuamos a receber denúncias e verificar os dados. No Fórum Penal confirmamos 791 detenções de manifestantes, na Venezuela, desde 21 de janeiro de 2019", anunciou o porta-voz daquela organização, Gonçalo Himiob, na sua conta na rede social Twitter.

Segundo o FPV, o Distrito Capital regista o maior número de detidos, 171, seguido pelos estados de Arágua (112), Zúlia (97), Monágas (59), Yaracuy (50), Bolívar (48) e Portuguesa (37).

Foram ainda registadas detenções nos Estados de Amazonas (23), Anzoátegui (5), Apure (7), Barinas (6), Carabobo (33), Cojedes (26), Falcón (1), gáurico (7), Lara (25), Miranda (25), Nueva Esparta (13), Sucre (2), Táchira (17) e Vargas (27).

Os detidos são acusados, segundo aquela organização não-governamental, de delitos de terrorismo, instigação ao ódio, alteração da ordem pública e desacato à autoridade, entre outros.

Os dados anteriores, divulgados no sábado pelo FPV, davam conta que 369 pessoas tinham sido detidas na Venezuela, entre 21 e 24 de janeiro de 2019, durante manifestações antigovernamentais.

Na sexta-feira, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou a oposição de promover a violência no país e pediu às autoridades que os cidadãos envolvidos em atos de vandalismo sejam condenados a 20 anos de prisão.

"Já há presos que vão ser julgados e pedi ao procurador-geral [Tareck William Saab] que seja muito cuidadoso na aplicação da máxima pena de 20 anos de prisão a quem for capturado na rua, incendiando, assaltando e fazendo atos de vandalismo, que são pagos em dólares", disse.

/ SS