O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na quinta-feira que ordenou reforçar os investimentos em projetos que usam a tecnologia da Huawei, empresa chinesa que foi recentemente sancionada pelos Estados Unidos.

"Ordenei que se faça um investimento imediato, em conjunto com os nossos irmãos chineses, na tecnologia da Huawei, da ZTE e em todas as empresas chinesas e russas, para elevarmos a capacidade das telecomunicações" no país sul-americano, declarou.

Nicolás Maduro falava no Círculo Militar de Caracas, durante a inauguração da primeira Feira de Inovação, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia das Forças Armadas Bolivarianas.

Para o chefe de Estado venezuelano, este investimento conjunto tem como objetivo "tornar real o sistema 4G (de quarta geração) a nível nacional".

Por outro lado, assinou um decreto que prevê a criação da "Corporação Nacional de Telecomunicações e Serviços Postais da Venezuela", empresa estatal que "agrupará todas as empresas socialistas e privadas em matéria de telecomunicações".

"Assino este decreto através do qual se cria uma corporação unida, uma nova corporação elevada e poderosa", disse.

De acordo com Nicolás Maduro, esta corporação vai impulsionar o desenvolvimento das telecomunicações na Venezuela, afetadas pela "guerra económica" no país.

Esta nova corporação será presidida pelo coronel da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), Jorge Márques Monsalve, que é também presidente da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (CONATEL, organismo que regula as telecomunicações) e ministro do Despacho da Presidência, Acompanhamento e Controlo da Gestão de Governo.

Sanções dos EUA não vão afetar alimentos subsidiados

O presidente da Venezuela assegurou ainda que o programa de entrega de alimentos a preços subsidiados, conhecido como CLAP, vai continuar apesar de os Estados Unidos terem advertido sobre novas sanções.

"O chefe do império anunciou que sancionar e bloquear o CLAP, como se não soubéssemos trabalhar e não pudéssemos garantir este programa ao nosso povo", afirmou o chefe de Estado venezuelano, garantindo que as bolsas e caixas CLAP vão continuar.

O enviado dos EUA para a Venezuela, Elliott Abrams, anunciou na quarta-feira que o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, prepara novas sanções contra funcionários de Caracas que os EUA suspeitam de estar a beneficiar do programa CLAP.

"É um crime real, porque os venezuelanos mais pobres necessitam [do CLAP] para sobreviver. Eles sabem que este programa está corrompido, nós sabemos e estamos a investigar pormenores", disse.

O Departamento do Tesouro dos EUA divulgou este mês um relatório no qual dava conta de que altos funcionários do Governo venezuelano estariam a usar o programa CLAP para branquear ativos provenientes de corrupção e para obter benefícios económicos.

Segundo Washington, estão a ser investigadas atividades relacionadas com os CLAP em vários países, nomeadamente na Turquia, no Panamá, no México e no território de Hong Kong.

Estima-se que o programa CLAP chegue quinzenalmente a seis milhões de venezuelanos, embora já tenham vindo a público várias queixas de alguns problemas na distribuição, na qualidade e quantidade dos produtos.