O Presidente da Venezuela afirmou estar disponível para um "diálogo" com os EUA que pode levar a "um novo tipo de relação" entre os dois países, numa entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post.

Se houver respeito entre os governos, seja qual for a importância dos Estados Unidos, e se houver um diálogo, uma troca verdadeira de informações, tenha a certeza de que podemos criar um novo tipo de relacionamento", defendeu Nicolás Maduro na entrevista publicada no sábado à noite.

O chefe de Estado garantiu que, se seu homólogo norte-americano, Donald Trump, suspender as sanções contra Caracas, as empresas dos EUA poderão beneficiar muito dos recursos petrolíferos venezuelanos.

Uma relação de respeito e diálogo leva a uma situação em que todos saem a ganhar. Uma relação de confronto leva a uma situação em que todos perdem. Esta é a fórmula", sublinhou.

Os Estados Unidos e cinquenta países reconheceram há mais de uma ano o opositor Juan Guaidó como o Presidente interino legítimo da Venezuela.

Guaidó exige uma nova eleição presidencial, alegando que o escrutínio em 2018 foi uma fraude.

Nicolás Maduro, que sucedeu a Hugo Chávez em 2013, beneficia do apoio da Rússia, China e Cuba.

Ocorreram negociações entre Maduro e Guaidó, sob mediação norueguesa, mas foram interrompidas em agosto.

No início de janeiro, Washington apoiou o diálogo político na Venezuela, sustentando que as negociações poderiam estabelecer um Governo de transição, garantir novas eleições e acabar com a longa crise no país.

A tensão política é agravada por uma grave crise económica e social, a pior da história recente do país.

Na segunda-feira, o parlamento (controlado pela oposição) estimou que a inflação acumulada num ano atingiu 7.374,4% no final de 2019, contra quase 1.700.000% em 2018.

De forma pouco comum, em outubro o Banco Central da Venezuela reconheceu a fragilidade da economia nacional, indicando que o Produto Interno Bruto (PIB) havia contraído 26,8% no primeiro trimestre de 2019.

/ BC