As Forças Armadas Bolivarianas da Venezuela realizaram, este domingo, manobras militares preparatórias para os Exercícios "Bicentenário de Angostura" 2019, que vão ter lugar entre 10 e 15 de fevereiro em várias regiões do país. Nicolás Maduro acompanhou esses exercícios, deixando mais avisos além-fronteiras, depois de já ter recusado o ultimato da União Europeia para convocar eleições em oito dias.

"Venho dizer aos soldados da minha pátria que é tempo de mostrar força moral, de defender a pátria e a Constituição bolivariana, é tempo de lealdade, de união cívico-militar", disse o Presidente Nicolás Maduro, aos militares, em Puerto Cabello.

As Forças Armadas Bolivarianas devem preparar-se para demonstrar, de 10 a 15 de fevereiro, que somos os melhores, que estamos prontos para defender a pátria em qualquer circunstância. (...) O império norte-americano criou um plano para destruir a Venezuela e suplantar o Estado, [de maneira inconstitucional]".

As manobras tiveram lugar no Estado venezuelano de Carabobo, no forte militar de Paramacay, na cidade de Valência, 150 quilómetros a oeste de Caracas, e na Base Naval Agustín Armário, em Puerto Cabello, a 210 quilómetros a noroeste da capital.

Através do Twitter, o chefe de Estado felicitou a Marinha por "estar sempre pronta para defender os mares com profissionalismo e patriotismo".

Con la movilización permanente y en perfecta unión Cívico-Militar, defenderemos la paz, la dignidad y el derecho irrenunciable del pueblo soberano. ¡Nuestro Destino es la Victoria! pic.twitter.com/zvT4ZsFlKi

— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) 28 de janeiro de 2019

Ora, estes avisos surgem em plena crise política no país, depois de Juan Guaidó se autoproclamado, na quarta-feira passada, presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

No domingo, apoiantes do presidente do parlamento venezuelano distribuíram uma lei assinada por Guaidó de amnistia aos soldados, como havia prometido fazer. Guaidó tentou, desta maneira, convencê-los a mudar de campo.

Enquanto isso, o Presidente Nicolás Maduro assistiu pessoalmente aos tais exercícios militares. Apareceu na televisão a dirigir as manobras militares no Forte Paramacay (norte do país), com as imagens a mostrar carros blindados e soldados em sessões de tiro. Com palavras para Guaidó e países que já disseram que o apoiam ouvirem.

Joelho em terra para combater o golpe de Estado, digo a todas as tropas bolivarianas: união máxima, disciplina máxima, coesão máxima”.

Para além da UE - Portugal incluído, os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA), a maioria dos países da América Latina, à exceção de México, Bolívia, Nicarágua e Cuba – que se mantêm ao lado de Maduro, já reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. O mesmo fez depois Israel e, ao final da noite de domingo, a Austrália.

 Rússia, China, Turquia e Irão manifestaram o seu apoio a Nicolás Maduro.