Matias Salazar, 56 anos, venezuelano, casado. É o curto perfil do homem agora acusado de escravidão sexual, incentivo ao suicídio, violência psicológica e sexual por ter mantido em cativeiro, durante 31 anos, uma mulher de 49 anos, identificada apenas como Morella, num pequeno apartamento em Maracay, perto de Caracas, na Venezuela.

A história foi contada pelo jornal venezuelano Cronica Uno que revela que Matias e Morella se conheceram em 1988, quando a mulher tinha apenas 17 anos e tinha acabado de sair da escola. 

Os pais da então jovem eram contra o relacionamento porque Matias era agressivo e, por isso, o suspeito criou um plano e o casal desapareceu dois dias antes do Natal de 1988. Primeiro mudaram-se para um apartamento, onde as agressões a Morella se intensificaram, e, depois de passarem por outro hotel e duas casas, a jovem viu-se trancada no apartamento onde iria passar perto de duas décadas. 

Durante o tempo em que manteve Morella em cativeiro, o agressor alimentou-a apenas com arroz, lentilhas e ovos, mas chegava a privá-la destes alimentos caso ela recusasse ter relações com ele.

Segundo as autoridades, citadas pelos meios internacionais, Matias Salazar torturava ainda a mulher psicologicamente, obrigando-a a pedir autorização para coisas tão simples como sentar-se. E agredia-a repetidamente.

Enquanto Morella vivia em cativeiro, o seu agressor levava uma vida aparentemente normal do outro lado da rua, com a mulher legítima e a filha. De lá, controlava todos os passos da cativa, que tinha todo o apartamento coberto por pesadas cortinas e apenas um rádio e uma pequena TV como companhia.

O apartamento não tinha luzes e quer a comida quer a água eram levadas por Salazar desde casa. 

Ao longo de 18 anos, a polícia chegou a ser chamada ao apartamento por várias vezes, mas, por temer pela sua segurança, Morella garantia aos agentes que estava tudo bem.

Por duas vezes tentou escapar, mas falhou. Salazar descobriu e agrediu-a violentamente, como sempre.

Mas, no dia 24 de janeiro, o agressor deixou para trás as chaves do apartamento e a mulher conseguiu, finalmente, escapar. Caminhou durante horas pelas ruas da cidade até conseguir chegar ao Instituto da Mulher, em Aragua, a cerca de três quilómetros do local onde esteve presa.

Assim que chegou à Instituição e contou a sua história, os assistentes sociais chamaram a polícia. 

Ao tomarem conhecimento do que acontecia no prédio, os vizinhos de Morella disseram que nunca desconfiaram de nada e quando perguntavam a Matias Salazar pela mulher ele respondia que era a empregada de limpeza. 

Um dos vizinhos que entrou no apartamento com Morella e os procuradores responsáveis pelo caso contou ao Cronica Uno o que viu dentro do apartamento e garantiu que ninguém sabia o que ali se passava.

Ela tinha três mudas de roupa dentro do apartamento, alguns sapatos velhos, uma cama no chão, uma ventoínha velha e uma televisão velha. As pessoas atacam os vizinhos, a perguntar porque não denunciámos, mas nós não sabíamos mesmo", contou o vizinho, sob anonimato.

Por sua vez, Jose Briceno, advogado de Matias Salazar, garantiu que o seu cliente era inocente e que está a ser vítima de uma campanha de difamação dos media.

No entanto, segundo o jornal venezuelano já citado, Morella não será a única vítima do "gordo Matias" (como é chamado pela imprensa): o venezuelano terá mantido em cativeiro mais três mulheres, uma delas Fanny, com quem terá tido uma filha, atualmente com 20 anos.

Matias Salazar foi apenas condenado pelos crimes cometidos contra Morella, a jovem cujo desaparecimento foi participado pelos pais em 1988 e que no dia 24 de janeiro apareceu no Instituto da Mulher.

O Ministério Público venezuelano não explicou, no entanto, se está ou não a investigar as restantes suspeitas. 

Caso seja condenado, pode cumprir 30 anos de prisão, a pena máxima na Venezuela.