Milhares de venezuelanos começaram a cortar as ruas de Caracas para mostrar apoio ao autoproclamado presidente internino, Juan Guaidó, que hoje anunciou ter o apoio dos militares para pôr fim ao regime de Nicolás Maduro.

O clima de tensão está em crescendo e imagens televisivas mostram mesmo carros militares a avançarem sobre a multidão em protesto na capital. Foram também já ouvidos disparos.

As forças de segurança leais ao governo de Nicolás Maduro lançaram gás lacrimogéneo contra Guaidó e os militares que o acompanham no levantamento contra o regime.

As bombas de gás lacrimogéneo caíram no leste de Caracas, perto do local onde se encontra Guaidó, também presidente do parlamento venezuelano, juntamente com Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular (VP) e hoje libertado apesar de estar condenado a quase 14 anos de prisão.

Ao local acorreram dezenas de simpatizantes de Guaidó após o apelo do opositor à população para apoiar o levantamento.

Os elementos armados que apoiam Guaidó e que se encontram junto à base aérea militar de La Carlota, cujas imediações foram tomadas por numerosos membros das forças de segurança, devolveram o gás lacrimogéneo.

Segundo a CNN, que cita Magia Santi, presidente do Centro Médico Salud Chacao, 71 pessoas ficaram feridas após os confrontos em Caracas, tendo sido encaminhadas para o hospital da região. Deste total de vítimas, 43 foram atingidas com balas de borracha, duas foram feridas com armas de fogo, 21 sofreram traumatismos, três estavam com dificuldades respiratórias, uma desmaiou e outra sofreu lesões na mão. Há ainda registo de 10 pessoas detidas.

Guaidó, reconhecido por meia centena de países, anunciou hoje que os militares deram “finalmente de vez o passo” para o acompanhar e conseguir "o fim definitivo da usurpação” do governo do presidente Nicolás Maduro.

O 1 de maio, o fim definitivo de usurpação começou hoje", disse Guaidó num vídeo publicado na sua conta na rede social Twitter, no qual está acompanhado por um grupo de soldados na base de La Carlota, a leste de Caracas.

O governo do presidente da Venezuela denunciou, por seu lado, que está a enfrentar um golpe de Estado, de "um reduzido grupo de militares traidores" que estão a ser neutralizados.

No Twitter, Nicolás Maduro garantiu ter o apoio da maioria das forças armadas.

Pedro Mendonça, jornalista venezuelano, esteve em direto ao telefone na TVI24, para descrever o cenário que se vive neste momento na Venezuela.

Ao que o jornalista relatou, existe uma multidão a caminhar em direção ao Palácio de Miraflores, o palácio presidencial, em Caracas. A liderar esta multidão está Juan Guaidó com o apoio de alguns militares. Um gesto do autoproclamado presidente interino com o objetivo de pressionar Nicolás Maduro a abandonar o poder. Todavia, ainda não houve progresso desta situação que continua dominada pelo governo eleito.

Pedro Mendonça, que se encontra Calabazo, uma localidade a cerca de 150km de Caracas, afirma que as pessoas saíram à rua em todas as regiões do país, das mais pequenas às maiores. Todos aderiram à "Operação Liberdade" de Juan Guaidó, sendo que o foco dos confrontos é a capital. 

Segundo a NTN24 Venezuela, um canal de notícias venezuelano, Leopoldo López, líder de oposição ao governo de Nicolás Maduro, pediu refúgio na embaixada do Chile em Caracas, onde já se encontra neste momento com a sua família. Isto pode significar que esta tentativa final de derrubar o regime de Maduro pode estar a perder força. Leopoldo López, cumpria uma pena de cerca de 14 anos em regime de prisão domiciliária, foi libertado esta manhã.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Chile, Roberto Ampuero, também confirmou essa informação através da rede social twitter. 

Lilian Tintoti e a sua filha entraram como convidados na residência da nossa missão diplomática em Caracas. Há minutos, o seu marido, Leopoldo López, juntou-se a elas e permanece junto à sua família. O Chile reafirma o seu compromisso com os democratas venezuelanos”, referiu o chefe da diplomacia chilena.

 

Defesa responsabiliza Guaidó se houver "banho de sangue"

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, responsabilizou a oposição ao regime de Nicolas Maduro por um possível “banho de sangue”, após o levantamento militar liderado pelo autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó.

Responsabilizo-os por qualquer ato de violência, morte ou banho de sangue”, advertiu Vladimir Padrino, durante um discurso na presença do alto comando militar da Venezuela, em Caracas.

Padrino referiu na sua conta de rede social digital Twitter que o coronel Yerzon Jimenez Baez, chefe de operações de um ramo militar fiel a Nicolas Maduro, foi ferido por uma bala, numa autoestrada perto de Caracas, responsabilizando a oposição por este ato.

Denuncio a violenta agressão a que (Baez) foi sujeito”, escreveu Padrino, considerando que estes atos podem agora multiplicar-se e serão responsabilidade da oposição liderada por Juan Guaidó.

O ministro da Defesa tem dito ao longo do dia que as Forças Armadas continuam “firmemente em defesa do governo legítimo” do Presidente eleito, Nicolas Maduro, como resposta a uma alegação de Juan Guaidó de que tinha os militares do seu lado.

NoTwitter, Padrino escreveu que as unidades militares estão “em normalidade”, nos quartéis e nas bases militares, contestando os movimentos da oposição.

São uns cobardes! Permaneceremos firmes na defesa da ordem constitucional e da paz da República, assistidos como estamos pela lei, razão e história”, escreveu Padrino, no Twitter.
 

Governo da Madeira deseja transição democrática o mais depressa possível

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, disse hoje esperar que a transição para uma democracia pluralista na Venezuela aconteça o mais rapidamente possível.

A Madeira foi a primeira região a reconhecer o presidente Juan Gaidó como o presidente legítimo de todos os venezuelanos e o que nós aguardamos é uma transição para uma democracia pluralista e que respeite os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, que assente o governo numa legitimidade democrática do voto", disse Miguel Albuquerque na Quinta Vigia, sede do Governo Regional.

Para o presidente do Governo Regional, "é fundamental que, neste momento, a Venezuela efetue essa transição o mais rapidamente possível (...) e que se liberte das garras do comunismo e do autoritarismo".

Miguel Albuquerque considera "decisivo que os militares na Venezuela adiram, ou que parte da cúpula militar adira, ao presidente Gaidó e cumpra a Constituição".

Estamos a assistir a uma situação ainda confusa, uma situação que ainda não está bem esclarecida, mas o nosso desejo é que essa transição para a democracia para um regime de liberdade que respeite os direitos humanos se efetue o mais rapidamente possível", acrescentou, observando ser importante o apoio internacional.

 

Cerca de meia centena de luso-venezuelanos concentraram-se, esta terça-feira, no Largo do Município, na cidade do Funchal, para manifestar o apoio ao autoproclamado Presidente interino Juan Gaidó e à reposição da democracia na Venezuela.

Achamos que era importante fazer qualquer coisa para dar força às pessoas que estão lá [Venezuela] e transmitir, desde cá, o sentimento da liberdade e da democracia que todos queremos para a Venezuela", disse à comunicação social um dos organizadores da concentração, o luso-venezuelano Carlos Fernandes, que regressou há dois anos à Madeira.

 

Queremos que o povo da Venezuela saiba que não está só na luta pela democracia", acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, informou que já foram pré-ativados os mecanismos de apoio aos portugueses e luso-descendentes que vivem na Venezuela, mas ainda não tem pedidos de ajuda. Disse ainda que, para já, não há portugueses com a sua segurança em perigo, segundo as últimas informações que recebeu da Embaixada de Portugal em Caracas.