O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse hoje apoiar uma eventual proposta da Assembleia Constituinte (AC, composta unicamente por simpatizantes do regime) de convocar eleições antecipadas.

"A AC tem a sua agenda de avaliação para convocar uma antecipação das eleições parlamentares ainda este ano. Estou de acordo em relegitimar o poder legislativo do país e que seja o povo a decidir", disse.

Nicolás Maduro falava para milhares de simpatizantes, na Avenida Bolívar de Caracas, que se concentraram-se para assinalar o XX aniversário da revolução bolivariana, apoiar o Chefe de Estado e condenar a ingerência externa nos assuntos internos do país.

Se não forem antecipadas, as eleições legislativas estão previstas somente para finais de 2020.

A oposição detém atualmente a maioria no parlamento.

Defender o "sagrado solo"

Nicolás Maduro disse hoje ser o único presidente do país e apelou ao fortalecer da união e lealdade das Forças Armadas venezuelanas perante as ameaças dos EUA.

"As Forças Armadas venezuelanas são a coluna vertebral, central, da união nacional, da democracia venezuelana. As Forças Armadas têm que forjar-se cada dia na união, lealdade, na disciplina. Se a Venezuela quer futuro, paz, democracia, devemos preservar a fortaleza da união das Forças Armadas Bolivarianas", disse.

Por outro lado, chamou os integrantes de instituições castrenses, a milícia e os venezuelanos a participarem, de 10 a 15 de fevereiro, nos exercícios militares que assinalam os 200 anos do Bicentenário de Angostura.

O propósito, disse, além de homenagear o libertador Simón Bolívar, é preparar os venezuelanos para defenderem o “sagrado solo” da Venezuela.

Nicolás Maduro fez ainda um apelo aos milicianos e jovens na idade de prestar o serviço militar para que se inscrevam para fazer parte dos militares ativos do Exército venezuelano.

"Somos guerreiros da paz. Vamos rumo aos dois milhões de milicianos até o próximo 13 de abril", disse, numa alusão ao aniversário dos acontecimentos de abril de 2002, altura em que o falecido líder socialista Hugo Chávez (presidiu o país entre 1999 e 2013) regressava ao palácio de Miraflores, depois de ter sido temporariamente afastado do poder.

Presidente iraniano expressa apoio a Maduro

O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, expressou o seu apoio ao contestado Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, noticiou hoje a agência oficial iraniana IRNA.

Segundo a IRNA, Rouhani reuniu-se com o enviado da Venezuela a Teerão, Carlos Alcala Cordones, e transmitiu-lhe o seu apoio ao Governo de Maduro.

“Nós acreditamos que o povo da Venezuela, através da união e do apoio ao Governo, vai neutralizar as pressões de Washington”, declarou Rouhani, citado pela IRNA.

Rouhani classificou como “muito feio” aquilo que descreveu como a intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela.

“Os americanos basicamente são contra revoluções populares e nações independentes”, acrescentou o Presidente iraniano.

O Irão tem sido um apoiante fundamental do regime da Venezuela desde 1999, quando o Presidente Hugo Chávez chegou ao poder em Caracas.

Os dois países são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e assinaram muitos acordos económicos.

A crise política na Venezuela agravou-se a 23 de janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Após a autoproclamação, Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias (a contar desde sábado passado), findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

Nicolás Maduro, de 56 anos, chefe de Estado desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, no qual a oposição tem maioria, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, residem cerca de 300.000 portugueses e lusodescendentes.

/ AM