O ministro dos Negócios Estrangeiros russo acusou, esta sexta-feira, os Estados Unidos de provocarem frequentemente a Venezuela e insistiu que Rússia e México apostam ao diálogo, "sem condições prévias", para solucionar a crise venezuelana.

"A Rússia e o México apostam em resolver os problemas desse país [Venezuela] apenas através do diálogo entre o Governo [do Presidente Nicolás Maduro] e a oposição, de um diálogo inclusivo entre todas as forças políticas importantes", afirmou Serguei Lavrov.

O chefe da diplomacia russa falava aos jornalistas no México, no final de um encontro com o homólogo mexicano, Marcelo Ebrard, que decorreu no âmbito de uma visita ao país.

Depois de Cuba e do México, Lavrov é esperado hoje na Venezuela, numa deslocação para reforçar a cooperação bilateral entre Caracas e Moscovo.

Os EUA "ameaçam utilizar todas as opções que estão sobre a mesa e organizam regularmente provocações" contra Caracas, afirmando que "não há opções para uma mudança de regime", declarou.

"O diálogo é necessário (...) sem condições prévias, e no qual todas as partes tenham a possibilidade de abordar as soluções que lhes convenham", frisou.

Por outro lado, o responsável russo explicou que durante a visita a Caracas, a Rússia não leva propostas para nenhuma das partes e questionou a utilidade das iniciativas da UE e do Grupo de Lima para encontrar uma solução pacífica para a crise.

A Venezuela, um país com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, atravessa há mais de cinco anos uma crise económica, política e social.

A oposição responsabiliza o regime pela contração da economia, alta inflação, escassez de medicamentos e alimentos, e pela descida na produção de petróleo, a principal fonte de rendimento do país.

Por outro lado, o Governo venezuelano atribui a situação a uma "guerra económica" e a sanções impostas pelos Estados Unidos, que afirma terem sido aprovadas pela oposição do país.

A crise venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, quando o líder opositor e presidente do parlamento, Juan Guaidó, se autoproclamou como presidente interino da Venezuela até conseguir afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres no país. Guaidó é apoiado por cerca de 50 países, incluindo Portugal.

/ AM