A TAP realizou na terça-feira o primeiro voo para Caracas desde que, em fevereiro, foi impedida pelo governo venezuelano de operar para a Venezuela, tendo repatriado 241 portugueses retidos no país devido à pandemia de covid-19.

O voo TP-9359, organizado pelo consulado de Portugal em Caracas em conjunto com agências de viagens locais, partiu do aeroporto internacional Simón Bolívar de Maiquetía, pelas 18:38 horas de terça-feira (23:38 horas em Lisboa), levando ainda 55 pessoas de outros países europeus.

No voo de hoje vão 296 pessoas, 241 das quais portuguesas. Cerca de 190 vão para a Madeira. Depois há outras pessoas de outras nacionalidades que também vão neste voo”, disse à Agência Lusa o cônsul-geral de Portugal em Caracas, Licínio Bingre do Amaral.

Bingre do Amaral destacou que desde que foi decretada a suspensão da TAP, em fevereiro deste ano, há cerca de oito meses, este "é o primeiro voo” que a companhia aérea portuguesa realiza para Venezuela.

Fez-se um grande esforço e uma coisa que é extremamente importante, é um avião da própria TAP”, enfatizou o diplomata, lembrando que nos últimos anos a ligação entre Lisboa e Caracas era assegurada pela transportadora, mas através de um avião fretado.

“Desde há três anos que não vinha nenhum avião da TAP para Caracas e isso é um sinal extremamente positivo para a comunidade portuguesa. Já temos informações claras de que a TAP vai passar a assegurar esta rota com aviões da TAP”, acrescentou.

Para o diplomata, trata-se de um assunto “extremamente importante” para a comunidade lusa local que “sente uma ligação clara e um interesse claro de Portugal e do Governo e da TAP para que aviões da companhia voltem à Venezuela e continuem a transportar e a apoiar a comunidade portuguesa”.

Licínio Bingre do Amaral explicou que "a maior parte" dos 241 passageiros "tem também residência em Portugal" e que , devido à situação atual na Venezuela, dividem o tempo entre Portugal e o país sul-americano.

Também vão muitas delas para tratamento médico”, explicou o diplomata, precisando que 81 passageiros do voo da TAP "são maiores de 65 anos" e deslocam-se a Portugal "exatamente por essas questões, acompanhamento médico" que, na Venezuela, "não é tão fácil”.

“No total, com este voo, há cerca de 800 portugueses que já foram repatriados, nos voos portugueses e nos voos organizados por Espanha”, frisou Bingre do Amaral.

Este foi o terceiro voo de repatriamento organizado por Portugal, os dois anteriores foram realizados pela AirFly a 13 de junho e 30 de agosto.

Em 17 de fevereiro, o governo venezuelano anunciou a suspensão por 90 dias das operações no país da companhia aérea portuguesa TAP, “por razões de segurança”, após acusações de transporte de explosivos num voo oriundo de Lisboa.

As autoridades venezuelanas consideram que a TAP, nesse voo entre Lisboa e Caracas, violou normas de segurança internacionais, permitindo explosivos, e também ocultou a identidade do autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, na lista de passageiros.

O governo português pediu um inquérito para averiguar a veracidade das acusações que envolviam a transportadora aérea portuguesa, dizendo não ter qualquer indício de irregularidades no voo.

Na Venezuela estão confirmados 79.117 casos de pacientes com a covid-19. Estão ainda confirmadas 658 mortes associadas ao novo coronavírus e 69.832 pessoas recuperaram da doença.

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