Quatro cientistas do departamento de Microbiologia e Centro de Investigação de Infeção e Imunologia da Universidade de Hong Kong publicaram, em outubro de 2007, um estudo que previa que dentro de alguns anos iria surgir um novo coronavírus que passaria dos animais para os humanos.

Neste estudo, citado pela imprensa internacional, Vicent C.C. Cheng, Susanna K.P. Lau, Patrick C.Y Woo e Kwok Yung Yuen advertiram que o costume de "comer animais exóticos" no sul da China era "uma bomba relógio" para o mundo.

No estudo científico, com 14 páginas e publicado na revista Clinical Microbiology Reviews da Sociedade Americana e Microbiologia, os quatro cientistas analisaram o síndrome respiratório agudo grave (SARS) que aconteceu em 2003 - e que foi a primeira grande pandemia do novo milénio - e que é semelhante ao SARS-CoV.

Como se conseguissem prever o futuro, os cientistas concluíram que "a presença de um grande reservatório de vírus similares no SARS-CoV nos morcegos em ferradura, juntamente com a cultura de comer mamíferos exóticos no sul de China é uma bomba relógio".

"A possibilidade de um reaparecimento de SARS causado por outros novos vírus de animais não deve ser por alto, por isso, é preciso estar preparado", alertaram.

Os cientistas alertaram ainda que a possibilidade de o vírus passar de animais para os humanos não podia ser "ignorada" e que devia ser também tido em conta "a conhecida capacidade dos coronavírus se reprogramarem geneticamente".

Para chegarem a esta conclusão, Vicent C.C. Cheng, Susanna K.P. Lau, Patrick C.Y Woo e Kwok Yung Yuen analisaram mais de quatro mil publicações sobre o SARS e chegaram à conclusão de que "as grandes quantidades e variedades de mamíferos selvagens encerrados em jaulas lotadas e a falta de medidas de segurança nos mercados (no sul da China) favorecem o salto desses novos vírus de animais para humanos".

Os cientistas dizem ainda que "o rápido crescimento económico no sul da China levou a uma crescente procura de proteínas, incluíndo as dos animais exóticos como os civetas".

Ou seja, o que aconteceu agora com o Covid-19, apesar de ainda não ser clara qual a fonte animal, terá sido uma passagem do coronavírus de animais para humanos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou mais de 828 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 41 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera, e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira.

Na terça-feira, a Região Autónoma da Madeira registava um total de 42 infetados no arquipélago.

/ AM