A morte do histórico líder palestino Yasser Arafat pode ter sido causada por envenenamento com polónio 210, uma substância altamente radioativa e que foi encontrada nos seus objetos pessoais, segundo uma análise realizada pelo Instituto de Radiofísica do Hospital Universitário de Lausanne (Suíça).

O estudo, encomendado pela «Al Jazeera», durou nove meses e analisou as roupas, a escova de dentes e inclusivamente o famoso lenço palestiniano («kufiya») de Arafat, onde aparentemente foram encontrados níveis anormais de polónio.

Os restos de sangue, suor, saliva e urina analisados em alguns destes objetos sugerem que havia um alto nível de polónio no seu corpo quando o líder morreu, em 2004, num hospital de Paris, por motivos ainda desconhecidos, apontou o estudo.

«Posso confirmar que detectamos uma quantidade inexplicável e elevada de polónio 210 nos pertences de Arafat, que continham manchas de fluidos corporais», disse o diretor do instituto médico, François Bochud, citado pela «Al Jazeera».

Foi a própria emissora que recebeu estes objetos pessoais de Suha, viúva de Arafat, e os enviou ao laboratório para tentar desvendar os rumores sobre as possíveis causas da morte do líder palestiniano.

Segundo a«'Al Jazeera», os cientistas de Lausanne detectaram que os níveis de polónio 210 encontrados nos pertences de Arafat eram dez vezes superiores aos das amostras aleatórias usadas para comparação.

Noutros testes, realizados entre março e junho, concluiu-se que entre 60% e 80% do polónio detectado não provinha de fontes naturais.

Recorde-se que em novembro de 2006, o antigo espião russo Aleksandr Litvinenko morreu devido a altas doses em seu organismo desta substância radioativa, que supostamente lhe foi fornecida por agentes secretos russos.
Redação / FC